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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Um mergulho no céu



Você se lembra de algum sonho em que se encontrava caindo de um lugar bem alto e, mesmo tendo uma leve consciência da situação, não conseguia acordar para se livrar da sensação angustiante da queda, de ver o chão se aproximando rapidamente?


Muito legal! Vou contar para a vovó.


Recentemente, saí para realizar um passeio de avião com o "Galinha" e a "Isa". Pessoal bastante atencioso. Deixam-nos bem tranquilos e despreocupados. VIP mesmo!
Funciona assim: você compra a passagem para um passeio de avião e, chegando bem cedo, o dia começa com sombra, água fresca e boa roda de prosa recostado em uma confortável poltrona. 
Depois, os anfitriões, atenciosos que são com os visitantes, lhe dão um macacão diferente para vestir, decerto para proteger do frio das alturas! Em seguida, você sai em uma caminhada pelo bosque até o ponto de embarque, onde vê muitas plantinhas e árvores enormes, escuta os passarinhos cantando e aprecia o caminhar... 
Então, entra na aeronave, ela decola e começa a subir rapidamente. Tudo sendo registrado pelos seus guias de passeio. Mais adiante, avista a paisagem ao longe, de muito alto. Se o céu estiver com nuvens, você transpõe os belos flocos de nuvens até cruzá-los e poder ver o sol e apreciar o amanhecer. 
Dizem que o ar das montanhas é mais limpo, mais puro, melhor para se respirar. Assim, lá no alto, bem acima das montanhas, já em uma altura bastante elevada, os seus guias deixam entrar um pouco do ar puro da altitude... 
Ahhh! Fantástico! Viu só que legal? Bem radical! "Pode ir sô." É tudo tranquilo. Igual a "carrinho bate-bate" de parque de diversão. No fim do passeio, quando chegar no chão, você liga e conta tudo pra vovó.


Calma! Eu posso explicar tudo.

Não entendeu nada? Pois bem, sente-se. Esse foi o comentário que deixei no site de uma empresa que realiza passeios de avião, em Boituva/SP, no interior do estado de São Paulo. Foi apenas um depoimento que fiz a respeito das sensações tidas ao realizar o voo.

O passeio foi realizado na segunda-feira de carnaval (2014), mas, a ideia eu já havia tentado colocar em prática durante umas 4 ou 5 semanas antes. Após ter contratado a atração, tentei me deslocar de BH/MG para Boituva/SP por duas vezes nesse período. Contudo, fui frustrado em ambas as ocasiões por causa do mau tempo que impediu que a aeronave decolasse. Nessas duas vezes anteriores eu havia ligado para a agência de Boituva/SP a fim de saber como estavam as condições do tempo por lá. Porém, recebi a notícia de que o compromisso teria que ser prorrogado por causa do mau tempo, resultando na impossibilidade de decolagem.


Melhor contar desde o início

Assim, na terceira tentativa não houve escapatória, pois, parti de BH/MG no fim da tarde de sexta-feira e início das festividades do carnaval/2014, sob céu nublado, chuviscos e algum movimento de veículos. Dessa vez eu teria o carnaval inteiro para esperar pelo bom tempo que nos permitiria alçar voo.




Até Boituva/SP, o trajeto a percorrer seria o seguinte:


Nas proximidades de Perdões/MG já era noite (passava das 22h) e começou a chuviscar. “Direção e chuva” não combinam bem; “direção, chuva e noite”, piorou; e mais, “direção, chuva, noite e moto”, é pedir para ser internado no hospício porque você já não deve estar regulando muito bem da cabeça. Dessa forma, não houve alternativa a não ser a de procurar um lugar para dormir.



Minha nossa, o que estou indo fazer lá?

No dia seguinte, acordei bem cedo e fui logo verificar como estava o tempo lá fora e vi que se encontrava bastante nublado, porém, não chovia, o que me animou bastante. Muitas vezes quando se está na estrada, no caminho entre uma cidade e outra, e começa a chover, então, não há como fugir da situação e o jeito é enfrentar o temporal até que surja a primeira oportunidade de abandonar a via. Porém, como eu ainda me encontrava no hotel, tinha uma escolha e, sem dúvida, se estivesse chovendo não sairia. Não sou doido.

Todavia, como observado, o tempo no momento dava sinal verde para seguir viagem, então, arrumei a pouca bagagem que havia levado e... “pé na estrada”.



Mais à frente, uma gigantesca fila de carros se formou no sentido contrário ao que eu seguia porque uma carreta havia tombado na pista terminando por ficar totalmente atravessada e impedindo a passagem de veículos.




Enfim, com o tempo melhorando pouco a pouco, continuei a viagem para Boituva/SP e, como costumeiro, não deixei de pedir informação no caminho, pois, o GPS tinha ficado em casa nessa viagem.



Preciso confessar que algumas vezes durante o trajeto da viagem me peguei pensando onde é que eu estava com a cabeça quando resolvi contratar esse tal passeio de avião... Bem, nesse instante não importava mais qualquer dúvida. Após mais de 500 km percorridos até o momento, estava determinado a pelo menos chegar ao destino final da viagem. Então, segui em frente e, no final do dia, a bela paisagem do entardecer em Boituva/SP compensou todo o cansaço daquele dia de viagem.



Salve-se quem puder

Muito bem! Tendo tido uma boa noite de sono, acordei cedo, arrumei meus pertences e deixei o hotel, pois, o compromisso que teria estava agendado para as 9h e, logo em seguida, já tomaria a estrada novamente para retornar a Belo Horizonte/MG.

Sem mais rodeios, chegando no campo de pouso e decolagem, registrei algumas fotos e, depois, fui encontrar com os funcionários da agência, que me receberam muito bem, e logo trataram de iniciar os trâmites para a realização do passeio. Depois de uma boa conversa, resolvi dar uma volta para conhecer melhor o local.





A aeronave na qual faríamos o passeio era como a da foto a seguir:


Por volta das 8h30, escuto a funcionária da agência chamar meu nome. Chegara o momento do embarque. Ao se aproximar de mim com algo que parecia ser um macacão: 

“Vista.” Disse ela, em um tom como o de alguém que dá uma ordem e não lhe deixa escolhas.

Pois bem, logo troquei de roupa e vesti aquele macacão.


Mais alguns minutos de preparativos e estávamos todos prontos. Desistir agora? Nem pensar! Estava todo mundo olhando.


Sigam-me os bons!

Já que não há mais como correr, vamos lá: “...caminhada pelo bosque, passarinhos cantando, flocos de nuvens“, lembra-se?

Caminhada no bosque


Flocos de nuvens

Ar puro da altitude

No inicio dessa história contei que os guias contratados deixam entrar um pouco do ar puro da altitude. Pois bem, você acha que eles iriam realmente abrir a porta do avião só para os turistas sentirem o ar puro? “Que nada”. Fui para um salto duplo numa escola de paraquedismo em Boituva/SP. Ahhh, levado!


Os especialistas contam que a decolagem e o pouso são as fases mais complicadas e arriscadas em uma viagem de avião. Então, com esse pessoal me dizendo tais coisas, depois que a aeronave decolou, você acha que eu seria doido de esperar até o pouso? Decolar eu decolo, mas, ficar para o pouso? Diante das possibilidades, vou é pular antes de pousar porque assim eu reduzo o risco em cinquenta por cento (50%). Ora, cada maluco com a sua matemática...


Depois de aberto (ufa!), até pude pilotar o paraquedas por alguns instantes.


O pouso foi bem tranquilo, mas, só não conseguia mexer as pernas direito.



Apenas para dar uma ideia de como é a sensação de saltar posso dizer o seguinte: penso que todos se lembram, ou pelo menos a maioria, de algum sonho (pesadelo, melhor dizendo) em que se encontravam caindo de um lugar bem alto e, mesmo tendo uma leve consciência da situação, não conseguiam acordar para se livrarem daquela sensação angustiante da queda, de ver o chão se aproximando rapidamente. Ou, o que é pior, acordavam justamente no momento em que se estatelava no chão.

Concluo afirmando que a sensação, no instante do salto é pior ainda. Sabe por qual motivo? Porque a parte da queda livre é real. Enfim, lengalengas à parte, admito que a aventura foi sim divertida.



Todavia, advirto: aquele que tiver indícios de problemas cardíacos, que peça autorização a seu médico antes, pois, poderá sair de lá "infartado".

A seguir, a “Isa”, Camera Woman.


E na foto abaixo, o “Galinha” (Nilson - instrutor).


Na próxima imagem mostro o espaço utilizado para que os “dobradores” possam recolocar o paraquedas de volta na mochila. Essa turma não aparece muito, mas, há que se reconhecer o seu trabalho, pois, penso eu, que uma linha embolada ou uma dobra mal realizada pode fazer toda a diferença entre um pouso tranquilo e outro que levará o paraquedista a ter que reagir rapidamente.


Também disponibilizei o vídeo-resumo do salto realizado em Boituva/SP com a escola de paraquedismo Sky Company (www.paraquedismoskycompany.com.br). Veja abaixo:




E você, já saltou também? Caso ainda não, pretende fazê-lo algum dia? Dê sua opinião.

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