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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Dia 11. A Pedra Furada


Terça-feira, 12 de agosto de 2014.
Jericoacoara/CE (0 km).


Em mais um dia de passeios por Jericoacoara/CE, vi cavalos marinhos, caranguejos de Mangue Seco e desfrutei a bela paisagem da Lagoa de Tatajuba... Este é o relato de mais um dia na Expedição Litoral Nordestino, uma viagem de moto que realizei sozinho pelo nordeste brasileiro durante o mês de agosto de 2014. Belíssimas paisagens foram vistas e muitas experiências foram vividas: da calmaria de um encantador pôr do sol em Jericoacoara/CE à fuga alucinada na calada da noite em Petrolina/PE... fortes emoções foram vivenciadas. Continue lendo para acompanhar a viagem.
A vida é um passeio por onde gostamos de estar. Mas passa logo. - Paola Rhoden


Trajeto do dia

  • Farol do Serrote.
  • Pedra Furada.
  • Rio Guriú (cavalos marinhos).
  • Lagoa de Tatajuba.
  • Pôr do sol na praia da Malhada, em Jericoacoara/CE.

Um belo alvorecer

Toc... Toc... Toc... Ouvi alguém bater na porta do meu quarto às 4h45 da madrugada. Era o funcionário do Hostel (albergue) lembrando-me sobre o passeio que tinha combinado com o Josué. Conforme disse no relato do dia anterior, o Josué era um turista vindo de Olinda/BA e tínhamos tratado de acordarmos bem cedo para vermos o alvorecer do dia no Farol do Serrote, o ponto mais alto da vila de Jericoacoara.


Assim, agradeci o funcionário e solicitei que avisasse ao Josué que eu já estava para sair. Troquei de roupa, coloquei algumas coisas na mochila (água, acessórios da câmera) e deixei o quarto. Saímos às 5h em ponto.

Fomos pela rua Principal da vila, na direção contraria ao mar, e ao final viramos à esquerda para seguirmos a trilha que leva ao topo colina. Depois de uns 20 a 30 minutos de caminhada, alcançamos o cume do monte onde esta localizado o Farol do Serrote. O dia já começava a surgir e clarear.

Esse é o Josué, companheiro de caminhada.


A lua ainda se fazia presente, mesmo naquele horário.


Confesso que tanto quanto o entardecer, o alvorecer em Jericoacoara é outro espetáculo imperdível que deve ser apreciado.



Uma grande Pedra Furada.

Depois de apreciarmos o nascer do sol, descermos até a Pedra Furada que estava bem perto dali bastando apenas que descêssemos a colina. Como o Josué já havia feito esse caminho anteriormente tratou logo de encontrar a trilha que nos guiaria, lá do alto, até a areia da praia.




A Pedra Furada constitui-se numa enorme pedra, em forma de arco, esculpida pela ação das ondas do mar. Fica localizada ao sul da vila de Jericoacoara, distante uns 2 km da praia principal, onde se pode chegar a pé ou de bugue. O acesso pode ser por cima, como fizemos, ou por baixo seguindo pela praia. Contudo, alerto que aqueles que desejarem caminhar por baixo, tangenciando o mar, devem tomar cuidado e estar atentos à maré, pois, em alguns pontos, se o mar resolver fazer o cerco será difícil fugir e o caminhante, nesse momento, terá que ser hábil escalador para não deixar-se apanhar pela mar que avança terra adentro.


Enfim, pose para foto.


Como havíamos chegado bem cedo, pudemos registrar fotos com bastante calma e somente ao final, quando já nos preparávamos para sair, vimos surgir mais três pessoas que vinham visitar a Pedra Furada.

Retornamos pela mesma trilha por onde havíamos chegado e depois de mais alguns minutos de caminhada chegamos novamente no hotel.


Não dá tempo nem de descansar.

Tomei um belo café da manhã e retornei à recepção do Hostel a fim de saber se o funcionário havia conseguido encontrar vaga em algum veículo de passeio. Para a minha alegria ele respondeu que sim e o próximo destino seria a Lagoa de Tatajuba, cujo custo ficaria em R$60,00.

Dessa forma, às 9h o guia Cléber estacionou seu bugue na porta do hotel. Depois de ter sido avisado pelo funcionário do albergue, subimos no carro e seguimos; nós três: eu, o Cléber (guia) e a Priscila que também havia contratado o passeio à Lagoa de Tatajuba.


Depois, passamos em outra pousada para pegarmos mais duas pessoas que fariam o mesmo passeio conosco. Logo que chegamos vi que já estavam esperando na porta da pousada. Eram as mesmas duas moças que haviam participado da excursão do dia anterior: a Camila e a Mariane. Enfim, logo que embarcaram, seguimos em frente...


... contornando dunas...


... e tangenciando o mar.


Até que chegamos ao Rio Guriú.



Procurando cavalos marinhos.

Logo que descemos do veículo não precisamos esperar nem um minuto para embarcamos em um daqueles pequenos barcos a fim de seguirmos rio acima. Fomos em busca dos cavalos marinhos. A procura foi longa e passamos um bom tempo pesquisando na margem do rio, entre as raízes do manguezal, por algum cavalo marinho. O rio estava um pouco cheio e disse o barqueiro que seria mais fácil achar algo quando estivesse com menor volume de água.

Não desanimamos. Enquanto isso vimos diversos caranguejos escondidos entre as raízes.



Quando já estávamos quase ficando frustrados, alcançamos outra embarcação cujo pescador havia encontrado um daqueles cavalos marinhos pelos quais procurávamos. Não tardamos em registrar fotos.


Paradas estratégicas... e um pouco de história.

Objetivo cumprido, retornamos ao ponto inicial onde o bugue estava estacionado. Apenas para constar, o passeio pelo rio custa R$10,00. Tocamos em frente até chegarmos a um local em que foi necessário atravessar de balsa.



Antes que me esqueça, esse é o Cléber, o guia que nos conduziu no passeio desse dia.


Depois de atravessarmos o “braço do mar” o guia parou o bugue para nos mostrar alguns pequeninos caranguejos que estavam pelo caminho.


Em tempo, imaginei quantos deles são esmagados pelas largas rodas dos bugues de passeio que trafegam por ali todos os dias. Enfim, os que vimos ele recolocou no chão... fora do trilho dos pneus. Bem, esses estariam a salvo, pelo menos por enquanto.

Mais à frente, encontramos um bonito e confortável ponto de parada onde pudemos nos reidratar com água de coco.


Ora, depois de passarmos por diversas dunas, cruzarmos a areia da praia sob intensa ventania, “atravessarmos o mar” que avançara para dentro do continente... não perdi a oportunidade de me estirar naquela rede estendida entre as árvores. Tudo bem que o bugue é que fez o serviço mais pesado dessa história, mas, como ele não poderia deitar na rede, então, eu mesmo fui.


Ainda no caminho para a Lagoa de Tatajuba passamos por outro ponto de apoio, parada obrigatória para ouvir histórias de Tatajuba.



Até fiquei amigo do “Louro” – um papagaio simpático que havia por ali. Porém, tanto quanto simpático, também era meio folgado porque depois que dei a mão...


... ele quis o braço:


e, ainda, quando cedi o braço, ele já foi logo tomando conta do pedaço. Ahhh, folgado mesmo!


Ao(à) leitor(a), antes que a curiosidade lhe cause problemas, a resposta é NÃO. Para a minha alegria, ele não fez sujeira em cima do meu chapéu.

Continuando a jornada, mais belas paisagens.






Cuidado aí!

Então, paramos novamente no que apelidei de a “ladeira do skibunda” (duna do funil) onde são cobrados R$5,00 por pessoa para descer duas vezes, em uma pequena prancha, uma das maiores dunas da região.



Sem dúvida que não iria perder essa oportunidade e lá fui eu, todo empolgado, achando que seria igual a carrinho de rolimã. Aposto que o(a) leitor(a) adivinha o resultado dessa aventura. No final da descida a prancha foi saindo de lado e, antes mesmo de chegar na água, tomei um belo de um capote.


Se me lembro bem dos valores, ainda, se poderia pagar mais R$2,00 para pegar carona em um quadriciclo e subir de volta a enorme duna. A alternativa é encarar a íngreme montanha de areia quente que, da metade para cima, possui uma corda que pode ser utilizada para ajudar na subida. Mas, aposto que você vai preferir pelo retorno em condições mais cômodas, ou seja, de quadriciclo.


Já chega. Quero sombra e água fresca.

Muito bem, já chega desse sol forte batendo direto no cocuruto. Vamos chegar logo na Lagoa de Tatajuba... não sem antes presenciarmos mais paisagens sensacionais.



Na Lagoa de Tatajuba (também chamada de Lagoa da Torta) a primeira coisa que fiz foi cair na água.



Essa lagoa possui uma boa infraestrutura para os turistas, tendo várias mesas com telhado de palha que bloqueiam o sol e formam uma boa área de sombra. Também achei que o cardápio tinha preços bem elevados para os pratos disponíveis. Consequentemente, eu e as meninas preferimos pedir apenas alguns petiscos e deixarmos para almoçar na volta, em Jericoacoara.


Para quem gosta existem algumas pequenas canoas (caiaques) e pedalinhos que podem ser alugados para uma volta pela lagoa. As famosas redes sobre a água também estavam presentes para quem quisesse relaxar um pouco.

Terminou o passeio de bugue, mas, o dia ainda não.

Por fim, após um bom tempo aproveitando a estadia no lugar, o guia Cléber nos convocou para retornarmos a Jericoacoara.





Nas proximidades de Jericoacoara, assim como no dia anterior, vimos alguns praticantes de Kitesurf aproveitando o belo dia e os bons ventos.



Que maravilha!

Ao chegarmos estávamos esfomeados e logo procuraramos um lugar para matar o que estava nos matando: a fome. Por indicação da Priscila, na rua Principal, perto do Hostel, havia um restaurante que servia prato executivo e foi para lá que corremos. Não nos arrependemos. Comi um baita pratão com filé de frango e fritas. Como também faço parte daqueles que gostam de um doce após o almoço, propus tomarmos um sorvete em seguida.

Após um agradável dia, terminada a comilança, nos despedimos e, então, fui caminhar pela praia para ajudar na digestão e apreciar a vista do lugar, até chegar o momento de assistir ao pôr do sol. Nesse dia preferi não ir até a duna do pôr do sol, mas, optei por diversificar e presenciar o fim de tarde na ponta oposta da praia principal de Jericoacoara. Assim, fui caminhando até lá e no percurso passei por vários restaurantes cujo ambiente percebi ser bastante agradável para se estar. Alguns até com música ao vivo.



Depois de um tempo descansando e apreciando a bela paisagem do mar, o sol foi baixando e posicionando-se para o tão aguardado espetáculo.




Infelizmente, o que é bom dura pouco.

Com pesar, ainda antes de escurecer, comecei a retornar para o hotel.



Enquanto passava pela praça central de Jericoacoara, parei para perguntar a um motorista de lotação sobre até que horário eu poderia encontrar condução para Jijoca. Ele não conseguiu precisar uma hora exata e disse que dependeria muito da demanda.

Eu sabia que o custo desse trajeto, geralmente, fica em uns R$10,00 para turistas, contudo, ele também comentou que eu poderia pagar o valor integral do veículo para que pudessem levar-me até Jijoca caso eu estivesse sozinho e realmente quisesse realizar o percurso. No entanto, nesse caso, o valor do frete sairia por R$50,00. Preferi não combinar nada ainda e contar com a sorte no momento em que eu terminasse de arrumar minhas malas.

Adoraria ficar mais tempo por ali, nesse magnífico vilarejo, entretanto, teria que ir embora e esse foi meu último dia na vila de Jericoacoara, pois, havia planejado dormir em Jijoca a fim de facilitar minha partida, no dia seguinte, em direção ao próximo destino turístico.

Agradeci as informações prestadas e corri para o hotel a fim de organizar meus pertences e encerrar a conta do hotel. Posso dizer que a correria deu certo e, mais tarde, consegui vaga em uma lotação ao preço costumeiro praticado para turistas. Em Jijoca de Jericoacoara o condutor ainda fez a gentileza de me deixar na porta de uma pousada.

Consequentemente, acertada a burocracia, e após ter acomodado minha bagagem no quarto da pousada, fui buscar minha moto no estacionamento onde a tinha deixado. Paguei R$30,00 pelas duas noites de estadia do veículo.

Na volta para a pousada ainda tentei encontrar um posto de gasolina para encher o tanque de gasolina, mas, infelizmente, o combustível tinha acabado. Então, já cansado pelas diversas atividades do dia, desisti de procurar e optei por abastecer na estrada, na manhã seguinte.

No caminho de volta comprei um lanche que deixei para comer no quarto da pousada e... por fim, tombei na cama.

Hotel: R$60,00




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