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domingo, 8 de março de 2015

Dia 12. Desbravando as dunas de Canoa Quebrada


Quarta-feira, 13 de agosto de 2014.
De Jericoacoara/CE a Canoa Quebrada/CE (448 km).

No início do dia o destino era o Beach Park, em Fortaleza, porém, terminou em um belo pôr-do-sol nas dunas de Canoa Quebrada/CE e num passeio pela Broadway... Este é o relato de mais um dia na Expedição Litoral Nordestino, uma viagem de moto que realizei sozinho pelo nordeste brasileiro durante o mês de agosto de 2014. Belíssimas paisagens foram vistas e muitas experiências foram vividas: da calmaria de um encantador pôr do sol em Jericoacoara/CE à fuga alucinada na calada da noite em Petrolina/PE... fortes emoções foram vivenciadas. Continue lendo para acompanhar a viagem.

Eu sempre amei o deserto. A gente senta numa duna de areia. Não se vê nada. Não se sente nada. E no silêncio alguma coisa irradia. - O Pequeno Príncipe

Trajeto do dia



Indecisão no início do trajeto

Em mais um dia da expedição pelo nordeste pulei da cama bem cedo. Às 5h o despertador tocou. No cronograma estava programado aproveitar e me divertir nos vários tobogãs (escorregadores) e piscinas de água doce do Beach Park (parque aquático). O objetivo era chegar em Aquiraz/CE, a poucos km de Fortaleza, antes das 11h.


Contudo, também não sabia se o parque estaria aberto para visitação, dessa forma, a meio caminho, teria que ligar em um dos telefones da administração do parque para obter informações mais precisas a esse respeito.

Trabalhava com a hipótese de o Beach Park estar fechado para manutenção e, nesse caso, teria que passar direto e avançar até a pequena cidade de Canoa Quebrada/CE, o destino turístico seguinte no planejamento.

Sem mais rodeios, nem tomei café nessa manhã, e às 5h30, deixei a pousada e segui em frente sem saber qual seria meu destino final. A claridade ainda era pouca quando, após vagar meio perdido por algumas ruas, resolvi pedir informação sobre como encontrar a saída de Jijoca de Jericoacoara/CE.




Logo na saída (ou entrada) da cidade vi um pequeno posto de informação turística que não havia percebido quando passara por ali, dois dias atrás.



Pouco mais adiante passei pelo estacionamento onde havia deixado a moto enquanto “turistava” por Jericoacoara/CE.



Da estrada não tenho nada a reclamar, muito pelo contrário, a CE-085 mostrou-se estar em boas condições, inclusive, com alguns trechos duplicados, o que me permitiu maior tranquilidade para dar mais atenção à bela paisagem.





Naturalmente, à medida que me aproximava de Fortaleza/CE o fluxo de veículos, naturalmente, foi aumentando e ficando mais complicado.



Outro dia de passeio pelas dunas

Ainda eram 8h45 da manhã e no momento em que faltavam uns 80 km para chegar em Aquiraz/CE (onde o Beach Park está localizado), ao realizar uma parada de abastecimento da moto, resolvi ligar para a administração do parque aquático a fim de saber se abriria para visitação e o que escutei como resposta foi a infeliz notícia de que estaria fechado para manutenção nessa quarta-feira.

— Ahhh! Mas, que deselegância, pois, nem me avisaram ou consultaram para saberem se poderiam fechar o parque nesse dia. Se eu tivesse sabido com antecedência, não teria autorizado cerrarem as portas... 

Ora, leitor(a) não se incomode com tamanha pretensão de minha parte, mas, o lado bom das férias é este: podemos viajar bastante (e mais ainda com a imaginação).

Confesso que fiquei um pouco frustrado com isso, mas, em tempo, tranquilizei-me porque a diversão não fora cancelada, mas, apenas adiada por um dia. Assim, dadas as circunstâncias, haja vista que não havia planejado nenhuma outra atividade para realizar ali por perto, então, decidi seguir adiante para o ponto turístico mais próximo do cronograma: Canoa Quebrada/CE, localizada não muito distante dali.

Eu sabia que se tivesse um bom rendimento na estrada, dali para frente, e o fluxo de veículos não me atrapalhasse muito, certamente conseguiria alcançar o destino em torno do meio-dia.




Dito e feito: eram pouco mais de 11h30 quando tomei o desvio para a CE-371, estrada que me guiaria até Canoa Quebrada.




Mais alguns km e logo cheguei na cidade. Não levei muito tempo para encontrar uma das pousadas que havia pesquisado e onde decidi ficar até o dia seguinte.




Um guia à minha disposição

Após a dona da pousada me conduzir ao quarto, lhe pedi que tentasse arrumar um guia que pudesse mostrar-me algumas das atrações turísticas da cidade e redondezas. Sem demorar muito, ela disse que conhecia alguém e que iria contatá-lo.

Antes mesmo de descarregar a bagagem ela retornou e confirmou que o passeio estava marcado. Disse também que o guia se colocou à minha disposição para sairmos no momento em que eu achasse melhor e que o passeio ficaria em R$100,00.

Rapidamente terminei de guardar meus pertences no quarto, tomei um banho e pedi à dona da pousada que chamasse o guia. Ainda não havia almoçado, mas, coloquei um pacote de biscoitos na mochila para ir comendo no caminho.

Às 13h, subimos no bugue e saímos. Fomos seguindo pelas ruas estreitas da cidade até alcançarmos um ponto em que nos desviamos para a praia.




Uma canoa quebrada

Bem perto dali paramos para registrar fotos do monumento símbolo de Canoa Quebrada.




Segundo se conta, em meados do século XVII, um navegador chamado Francisco Aires da Cunha, obedecendo às ordens do rei de Portugal, foi enviado ao Brasil e ao navegar pela costa norte brasileira teve sua embarcação danificada pelo choque com as rochas.

Então, tendo seguido até Aracati/CE, foi ajudado pelo Mestre Simão, um conhecido reparador de barcos. Dias depois, o navegador teria optado por presentear seu amigo Simão com a dita “canoa” que, por sua vez, fora desmontada e sua madeira transportada até o povoado.

Daí em diante, sempre que Simão e os demais nativos queriam se referir a essa tal praia, onde a embarcação tinha sido desmontada, diziam que era a praia da Canoa Quebrada. Consequentemente, esse nome terminou por resistir até a atualidade.

Em seguida, fomos adiante no passeio.





Passamos por um dos pontos mais altos da localidade (a duna do pôr-do-sol)...



... e depois atravessamos novamente a cidade no intuito de alcançarmos as dunas no lado oposto. No caminho pude observar que a maior parte das ruas é formada por areia e que o calçamento está mais presente apenas na área central de Canoa Quebrada.




Dunas do tamanho de edifícios

Avançando para o interior chegamos a uma enorme duna com infraestrutura montada para a prática da tirolesa (ao preço de R$7,00 por cada descida).



Não tive dúvidas em me aventurar...



Diferentemente da tirolesa de Jericoacoara/CE, onde utilizavam um quadriciclo para levarem os turistas de volta até o alto da duna, nessa havia um trilho (muito parecido com os trilhos de uma linha de trem) onde foi montado um carrinho, com 4 lugares, que comodamente transporta os turistas até o alto novamente.

Terminado o tempo das brincadeiras, era hora de contornarmos a beirada da duna para descermos calmamente até o ponto mais baixo e, assim, podermos continuar o trajeto do passeio. Bem, foi o que pensei. Ledo engano! O guia colocou o bugue para funcionar e nada de contornar a ribanceira.

— Vamos cortar caminho! Disse-me ele. E lá fomos nós...





Mais à frente, passamos por outra duna bastante íngreme onde um fotógrafo registrou imagens da descida. Quem quiser levar para casa as fotos para recordação desses momentos vividos pode adquiri-las ao preço de R$15,00.



Na continuação do passeio vimos belas paisagens.





Um oásis no deserto

Os ponteiros do relógio apontavam bem pra lá do meio-dia, e já havia passado bastante o horário do almoço, quando chegamos a um local que parecia como um oásis no deserto. Era um pequeno restaurante no meio das dunas e ali não perdi a oportunidade de pedir algo para comer. Escolhi um “pastelão” de carne, bem recheado, que me deixou para lá de satisfeito.





Mais um passeio para não ser esquecido

Dali em diante, fizemos o caminho de volta, tradicionalmente, diferente do que já havíamos percorrido até então. Passamos por uma casa que o guia informou ser de um paisagista estrangeiro e que fora construída somente com palha, madeira e recursos naturais.




E, então, retornamos até Canoa Quebrada. Mais um passeio de bugue pelas dunas do Ceará estava concluído.



Em tempo, esse foi o guia que me fez companhia nesse início da tarde.




A diversão ainda não terminou

Fui deixado novamente na porta do hotel e deviam ser umas 15h. Imediatamente parti, a pé, para uma volta pelo centro da cidade, rumo à Broadway, o “point” de Canoa Quebrada.



Localizada na rua Dragão do Mar, a Broadway é a principal área de comércio e entretenimento da cidade. Ponto de encontro de várias nacionalidades, devido ao trânsito intenso de estrangeiros que visitam Canoa Quebrada durante o ano todo Um agradável local para se estar e conversar "fiado", inclusive, com música ao vivo.



Em seguida, retornei pelo mesmo caminho e fui investigar a praia principal que acessei a partir do final da Rua Beco da Praia. Fui caminhando para a direita. Por ser um dia no meio da semana, e também por não ser época de alta temporada, a praia estava bem tranquila em termos de movimento de pessoas.




Ao longo da praia pode-se encontrar o símbolo de Canoa Quebrada desenhado / esculpido nas pedras.




Um mirante para ver as falésias

A caminhada não parou por aí.



Mais adiante, continuando na mesma direção, acessei uma passarela construída na beirada da praia, por sobre as falésias, e que faz a ligação de uma parte a outra da cidade. Dali, tem-se uma visão incrível e imperdível do mar e das falésias de Canoa Quebrada.




Continuando até o final da passarela, mais uma bela vista da paisagem.



Esse ponto, no final da passarela, também é o local onde muitos praticantes de parapente (voo livre) se reúnem para aproveitar os fortes ventos vindos do mar. Aquelas pessoas mais aventureiras que quiserem se arriscar em um voo livre, a poucos metros de altura, podem pagar R$70,00 por 15 minutos de diversão tendo direito a registro de fotos para recordação.




Outro belo entardecer

Desde Jericoacoara/CE, com seus belíssimos alvorecer e entardecer, havia me proposto o desafio de assistir a todos os momentos de nascer do sol e entardecer que me fosse possível ver até o momento de retornar para casa. Dessa forma, perguntando aqui e ali fiquei sabendo que Canoa Quebrada também possui uma duna do pôr do sol onde nativos e visitantes se reúnem todo fim de tarde. O dia já estava terminando e logo me coloquei a caminhar pela areia, morro acima, até o ponto em que me haviam indicado (partindo-se da igrejinha, localizada ao lado do local onde se pratica o voo livre, leva-se em torno de 15 a 20 minutos até chegar no ponto em que todos se reúnem no alto da duna).




Chegando lá foi só esperar o espetáculo começar.





Ao final, ainda antes de escurecer totalmente, consegui chegar até as ruas iluminadas da cidade e daí em diante fui me guiando por uma ou outra informação dos moradores locais até o centro e lá pude encerrar mais um empolgante dia de passeios pelas belas paisagens e lugares do nordeste brasileiro. Antes de retornar à pousada, passei mais uma vez pela Broadway para tomar um lanche. 

De volta ao hotel, encerrei a conta e deixei tudo acertado e arrumado (inclusive a bagagem) para minha saída na manhã seguinte. Sabendo que o Beach Park estaria aberto, fui dormir cedo, pois, já imaginava que o próximo dia dessa jornada seria de “arrebentar”.

Hotel: R$90,00.






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