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segunda-feira, 11 de maio de 2015

Dia 15. Dunas de Genipabu: com ou sem emoção?


Sábado, 16 de agosto de 2014.
Natal / RN - Dunas de Genipabu (0 km).


Descendo do alto de enormes dunas, de bugue, na tirolesa, ou escorregando no lombo de uma prancha, fortes emoções foram vividas nas dunas de Genipabu. Este é o relato de mais um dia na Expedição Litoral Nordestino, uma viagem de moto que realizei sozinho pelo nordeste brasileiro durante o mês de agosto de 2014. Belíssimas paisagens foram vistas e muitas experiências foram vividas: da calmaria de um encantador pôr do sol em Jericoacoara/CE à fuga alucinada, na calada da noite, em Petrolina/PE... fortes emoções foram vivenciadas. Continue lendo para acompanhar a viagem.

A vida é uma diversão, você brinca de viver e vive de brincadeira.

Trajeto do dia

  • Dunas de Genipabu / RN.


Mexa-se para não ficar para trás

Acordei cedo, troquei de roupa rapidamente e fui verificar se a agência de turismo, ao lado da portaria da pousada, já estava aberta e se o funcionário havia conseguido alguma vaga para o passeio ao Parque de Genipabu. Assim que a agência abriu indaguei sobre a marcação do passeio e ouvi do funcionário que ele estava com dificuldade de encontrar um “bugueiro”.

— Xiiiii! Já posso imaginar como isso vai terminar. – Pensei comigo.

Comecei a imaginar que se o funcionário demorasse muito para me encaixar em algum grupo eu poderia acabar ficando “a ver navios” nesse dia. Então, comecei a me “agitar”. Em momentos como esse temos que ser pró-ativos. Consequentemente, arrumei uma desculpa de que iria organizar algumas coisas no quarto, enquanto o funcionário da agência se empenhava na marcação do passeio, e saí dali.

Muito bem, eu, que não sou bobo, tratei de ir até uma outra agência de turismo que havia ali perto, na mesma quadra, a fim de solicitar informações e ver o que conseguiria arrumar. O funcionário dessa segunda agência foi mais ágil e logo conseguiu falar com um guia turístico. Contou-me que um casal havia contratado um bugue para conduzi-los no passeio a Genipabu e que sobrara duas vagas. Acrescentou que se eu quisesse acompanhá-los teria que pagar o valor dobrado para completar os lugares restantes.

Não aceitei de imediato o valor proposto e tentei negociar um pouco. Terminei por conseguir um valor pouco mais barato do que o pedido inicialmente e decidi contratar o passeio com esta agência. Fiquei satisfeito, pois, apesar de o preço final ter sido um pouco além do que eu previa, ao menos, tinha certeza de que iria conhecer as famosas dunas de Genipabu.

Em seguida, comuniquei a primeira agência que eu já havia conseguido encontrar condução. Voltei para o quarto da pousada, arrumei meu “kit” de passeio e no horário combinado, às 9h, o guia passou em frente ao hotel para me apanhar. 


Com emoção ou sem emoção?

Após as apresentações iniciais terem sido feitas, antes ainda de deixarmos a pousada, ouvimos o guia perguntar:

— É com emoção ou sem emoção?

Respondi prontamente:

— Quanto a mim pode ser com emoção... muita emoção!

E completei dizendo que respeitaria a decisão do casal que nos acompanhava... embora, intimamente, estivesse na maior torcida para que também optassem por um passeio regado a fortes emoções. Muito bem, o guia já estava arrancando com o bugue quando o casal respondeu que também lhes agradaria um dia de boas emoções.

Explicando em detalhes, quando se pede um passeio com emoção o guia realiza manobras radicais subindo e descendo pelas dunas ao longo do trajeto. Por outro lado, no modo sem emoção o bugueiro faz uma viagem de maneira mais tranquila e sem muitas manobras na intenção de que o turista se sinta seguro e não tenha muitas surpresas.









A caminho das dunas de Genipabu

O Parque Turístico Ecológico Dunas de Genipabu está localizado em uma área de preservação ambiental nas adjacências do município de Redinha / RN, que fica ao lado de Natal / RN.

Atravessamos a ponte Newton Navarro, vindo da praia do meio, e percorremos poucos km até sairmos da avenida asfaltada e avançarmos por uma estrada de terra até a beira da praia.




A partir daí fomos seguindo à beira-mar. Apesar de o céu estar repleto de nuvens carregadas estávamos confiantes de que não haveria chuva. De qualquer maneira, o calor era forte e de minha parte não seria má ideia tomar um pouco de chuva para refrescar.

— É um menino mesmo... – pensei comigo.



Mais à frente o guia desviou o bugue para o interior, afastando-se do mar, e em seguida fizemos uma parada rápida no alto de uma grande duna. Um belo mirante.




Esse momento nos rendeu uma bela sessão de fotos.






Retomamos o trajeto do passeio e não muito longe dali nos deparamos com alguns turistas andando em um dromedário (camelo).






Correndo da chuva

Mais adiante pegamos outro pedaço chão asfaltado, mas, não durou muito até retornarmos para a praia.






Apesar de todos os cuidados que os bugueiros tomam para não passarem com o veículo pela água do mar, por causa do seu efeito corrosivo, dessa vez não houve como desviar e o guia, literalmente, teve que ir mar adentro.



Quando percebemos já estávamos em cima da jangada.




Nesse momento o céu que antes tinha apenas algumas nuvens mais densas e carregadas tornou-se completamente nublado. Restou-nos apenas torcer para que o vento forte e constante levasse para longe a chuva que se iniciou na forma de chuviscos.



Corremos dali e logo escapamos das garras da tormenta.




Pura emoção

Muito bem, como no início do trajeto dissemos ao guia que o passeio deveria ser com emoção, então, lá fomos nós mergulhar duna abaixo...





... e em outro momento, duna acima.




Uma lagoa no deserto

Atravessamos uma vasta área de vegetação seca em meio às dunas e chegamos na Lagoa de Genipabu. Na saída de Natal / RN o guia havia sugerido que nos apressássemos para chegar até a lagoa, pois, poderíamos aproveitá-la melhor porque chegando mais cedo, antes dos outros bugues, o local estaria mais vazio.




Como previsto pelo guia, ao chegarmos encontramos a lagoa ainda com poucos visitantes. Ele ainda nos informou que ficaríamos em torno de 1h no local que depois deveríamos continuar o passeio para conhecermos outras atrações.





Acomodei-me na mesma mesa que o casal de Fortaleza / CE. Tomei uma água de coco e não perdi tempo, fui logo para a água e aproveitei para dar uma passeada pelo contorno da lagoa onde estavam as barracas.





Mais para o meio da lagoa havia alguns brinquedos, mas, não animei muito a investigá-los. Pelo que vi, naquele momento, quem mais se divertia eram os próprios responsáveis por tomarem conta deles. E subiam, e escorregavam, e davam gargalhadas. Observando de longe, quase fui convencido, mas, como já estava perto da hora de ir embora, realmente achei melhor respeitar o combinado e deixar aquela diversão para uma próxima oportunidade.



Também de longe avistei o que pareceu-me ser uma estrutura montada para a prática da tirolesa... que também ficou somente na vontade.



Era uma pena que já tivéssemos que partir, mas, não para terminar o passeio. Enquanto retornava para o quiosque notei que já havia bem mais pessoas do que quando chegáramos. Ao sairmos e nos reunimos no estacionamento olhei para os lados e vi o quanto estava cheio de outros bugues.



Para aqueles que quiserem chegar até a lagoa de Genipabu sem contratar os serviços de um bugueiro é possível pegar uma estrada de terra a partir da Estrada de GenipabuN. O caminho seria atravessar a ponte Newton Navarro, vindo de Natal / RN, andar alguns poucos km pela rodovia RN 302 e, na sequência, pegar a RN 304, como mostra o caminho marcado do mapa a seguir:




Segure-se para não cair

Após um refrescante banho na lagoa de Genipabu, retornamos ao “deserto”. Dessa vez, com muito mais emoção do que antes haja vista a altura e o tamanho das dunas que o guia insistia em descer.










Tentando manter o equilíbrio

Continuando o passeio subimos uma enorme duna e fizemos outra parada.





Era hora de mais emoção, mas, dessa vez fora do carro. Era a descida do esquibunda (não vá pensar em sacanagem leitor(a)), uma variação do Sandboard - que consiste em descer as dunas de areia utilizando-se uma pequena prancha. Entretando, no esquibunda a descida é realizada sentado na prancha.

Para participar da brincadeira, que é cobrada, paguei logo R$33,00 para descer três vezes. Como teria que subir novamente até o alto da duna o organizador falou-me que eu poderia pagar mais R$2,00 (por cada descida) pelos serviços do “carrinho” (puxado por motor de fusca) que me levaria de volta até o topo. Então, como iria descer três vezes, paguei um adicional de R$6,00 pela mordomia. Confesso que gostei da ideia. Assim, desembolsei um total de R$39,00 para esta diversão garantida. E lá fui eu.

O macete para não cair no meio do caminho é permanecer o mais imóvel possível na descida. Não importa se a prancha estiver se desviando para o meio do matagal. Deixe ir, mas, não se mexa.




Eu só precisava aprimorar um pouco o equilíbrio em cima da água. — Ahhh! “Nóis capota, mas, nóis num freia”.




Na sequência, pedi ao rapaz que estava lá embaixo a gentileza de segurar minha câmera para filmar a descida por outro ângulo e ele não se importou. Então, deixei a câmera com meu ajudante e corri para o carrinho com motor de fusca.



— Pronto para mais uma rodada de ação? Aí vou eu...



— É. Não adianta dar dica leitor(a). Desista! Na parte da água eu não vou aprender mesmo.





Vou poupar o(a) leitor(a) das imagens da terceira rodada. Na verdade, eu é que não quero ser motivo de mais risos e chacota, pois, já me bastam os daquele momento.


Incentivei, passei todas as dicas e macetes, mas, o casal que estava em minha companhia preferiu não se aventurar. Então, partimos...




Escorregando a 200 km / hora

— Minha nossa, nessa aqui eu vou morrer! Pensei comigo, angustiado, ao ver a altura da segunda duna onde o guia nos levou.



Dessa vez, foram o “esquiprancha” e a tirolesa. O custo foi o mesmo para as duas brincadeiras: R$10,00. Da mesma maneira como na outra duna, por um valor adicional (de R$3,00) seria possível voltar ao topo da duna pegando carona no “carrinho puxador”. Paguei para descer três vezes no “esquiprancha” e uma na tirolesa.









Toda essa diversão tem um ônus, pois, a tirolesa te larga no meio da lagoa e dependendo do seu equilíbrio e destreza no “esquiprancha” poderá parar só lá em alto mar. A boa notícia é que há umas duas ou três jangadas de prontidão, cada qual com seu capitão, para recolher os náufragos e conduzi-los até a margem.




Uma última subida de carrinho...





Tudo o que é bom dura pouco

Para minha frustração o guia nos reuniu para deixarmos o local. Após um dia de muitas divertidas atrações e paisagens de tirar o fôlego iniciamos nosso retorno de volta para Natal / RN.





Ao chegar em Natal / RN, por volta das 15h,  deixei minhas coisas no quarto e saí novamente. Fui até a agência de turismo localizada na frente da pousada para tentar encontrar algum itinerário para o restante da tarde, mas, infelizmente, não encontrei.


Então, tive uma ideia e meu raciocínio foi o seguinte: o próximo ponto turístico a ser visitado era o vilarejo de Pipa / RN, localizado a apenas 85 km de Natal / RN. Assim, pensei em aproveitar a hospedagem barata de Natal / RN e contratar algum passeio que fizesse o deslocamento até Pipa, mostrasse as belezas da cidade e retornasse à noite. Dessa forma, imaginei que a logística fosse ficar mais fácil e cômoda.

Consequentemente, comentei minha intenção com o funcionário e ele respondeu que alguns turistas de fato fazem isso e que para o dia seguinte tudo dependeria da quantidade de pessoas dispostas a fazer o passeio até Pipa, pois, o veículo que utilizam para realizar o traslado é uma Van e a pré-condição para que ele pudesse sair de viagem é que pelo menos 10 dos 15 assentos estivessem ocupados.


Um belo fim de tarde

Enfim, diante da incerteza desisti dessa ideia e optei por me deslocar até Pipa / RN por conta própria como já estava planejado. Agradeci e saí. Como ainda tinha algum tempo até o anoitecer, então, resolvi sair e dar uma volta ali pelos arredores mesmo. Fiquei fazendo hora e andei por boa parte daquela avenida em frente à pousada. Mais no fim da tarde tomei um belo sorvete enquanto acompanhava o dia terminar.





Quando escureceu retornei para o hotel e deixei tudo arrumado para a partida do dia seguinte. Também aproveitei para atualizar o meu diário de viagem que estava um pouco atrasado. Terminei dormindo cedo nesse dia.



Hotel: R$50,00.

Dicas de viagem

  • Caso possível, procure combinar com a agência ou guia de turismo para que o passeio se inicie alguns minutos antes do horário costumeiro (9h). Dessa forma, sair por volta das 8h30 ou 8h45 é um bom horário para evitar super lotação nos pontos turísticos a serem visitados no trajeto das dunas de Genipabu. Isso também evita ter que enfrentar fila na parte da travessia em balsa.




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