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sábado, 1 de agosto de 2015

Dia 18. Águas calmas e mornas para um bom banho de mar


Terça-feira, 19 de agosto de 2014.
Tamandaré/PE (Praia dos Carneiros - 0 km).

A paisagem da Praia dos Carneiros, em Tamandaré/PE, além de uma beleza ímpar, também abriga águas calmas que se escondem atrás de arrecifes de quase 2 km de extensão. Este é o relato de mais um dia na Expedição Litoral Nordestino, uma viagem de moto que realizei sozinho pelo nordeste brasileiro durante o mês de agosto de 2014. Belíssimas paisagens foram vistas e muitas experiências foram vividas: da calmaria de um encantador pôr do sol em Jericoacoara/CE à fuga alucinada, na calada da noite, em Petrolina/PE... fortes emoções foram vivenciadas. Continue lendo para acompanhar a viagem.

O mundo é cheio de coisas mágicas pacientemente esperando que nossa percepção fique mais aguçada.
- Bertrand Russell.

Trajeto do dia



A caminho do píer de Guadalupe

Dessa vez, a Praia dos Carneiros em Tamandaré, no estado de Pernambuco, seria o meu destino. Na tarde anterior havia contratado o passeio que me levaria a mais uma das belas praias do litoral brasileiro. O combinado foi que a van da agência de turismo passaria no hotel por volta das 7h30 para me pegar.


Consequentemente, já tendo deixado minha mochila arrumada desde a noite anterior, levantei às 6h30 e houve tempo apenas para trocar de roupa e tomar um café da manhã reforçado.

Às 7h20, quando a van chegou, já me encontrava à sua espera na porta do hotel. Poucas pessoas ocupavam o veículo e depois ainda passamos por mais duas pousadas para recolher outros turistas que também fariam o passeio. Segundo o guia, nós éramos o restante de um grupo de aproximadamente 40 pessoas.

Os demais ocupavam um ônibus de turismo que também já estava a caminho do ponto de encontro: o Pier de Guadalupe, local de partida dos catamarãs, cujo roteiro segue até a Praia dos Carneiros.

Seguimos por aproximadamente 40 km, passando por Barra do Sirinhaém/PE, até o vilarejo de Gamela/PE. A estrada não estava em boas condições e o motorista desviava constantemente dos buracos espalhados pela rodovia. Por ter chovido na noite anterior foi necessário desviar das poças d’água também, pois, poderiam esconder outros buracos.

A van nos deixou perto do píer. Como o ônibus com os outros turistas ainda não havia chegado, então, foi possível tirar algumas fotos do local com mais tranquilidade.





Chegando mais perto da plataforma de embarque observei vários barcos ancorados, desde pequenas jangadas até barcos maiores que, possivelmente, deviam ser usados no itinerário de passeios pelas redondezas. Só não tinha certeza se algum deles era o que nos levaria.




Belas paisagens

Minutos mais tarde um daqueles barcos maiores que vi ancorado manobrou e veio parar rente à plataforma de embarque.


Realmente era o nosso catamarã. Apenas tivemos que esperar alguns instantes (uns 15 minutos) até que o ônibus chegasse. Nesse meio tempo o “capitão” resolveu fazer uma inspeção geral na embarcação para certificar-se de que tudo estava bem para a partida.


Ótimo! Não demorou muito até que o barco estivesse com todos a bordo e então... zarpamos!



Não tinha ideia de qual seria o trajeto percorrido, porém, depois, ao conferir o mapa da região na internet e por meio das informações que os guias iam passando ao longo da navegação, pude consequentemente lembrar e montar a rota da travessia.


E lá fomos nós...





O primeiro local onde atracamos foi em uma pequena praia, em frente a um paredão, próximo à Praia de Guadalupe.




Geralmente, é uma parada rápida, em torno de meia hora, apenas para registrar fotos e para os mais animados tomarem um banho de argila. Como quase todo lugar nessa região, a paisagem é muito bonita.





De volta ao barco, rumamos para o outro lado da margem onde estava a Igreja de São Benedito, de arquitetura mais simples e cores verde e branco. Cercada por coqueiros, dali se tem uma bela vista para o mar.






Deixando a igreja a próxima atração foi um enorme banco de areia lá no meio do mar.




Por fim, o “ponto alto” do passeio estava por vir e foi então que seguimos diretamente até a Praia dos Carneiros, distante algumas centenas de metros dali.



Procurando uma agulha no palheiro

Ao chegarmos bem perto da praia, tendo o barco seus motores desligados, nesse momento, à deriva e já lançando âncora... um susto. Encontrava-me sentado num dos bancos laterais da parte de cima quando, ao manipular minha câmera de vídeo para troca de bateria, vi soltar e escapulir para fora do barco a trava da caixa estanque que envolvia e protegia a câmera.


Sim leitor(a), a trava da caixa estanque “tibum” no mar. Pudera ter estado lá o(a) leitor(a), nesse instante, para presenciar minha fisionomia de frustração. Foi de dar pena. Decepcionante.

Imagine, estaria inutilizada a única caixa de proteção da máquina fotográfica que havia levado na viagem? A caixa que usava para prender a câmera no capacete e gravar as cenas emocionantes das estradas; que era companheira de mergulhos e saltos alucinantes para dentro d’água; que protegia a câmera em caso de tombos e possíveis arranhões.

Peguei-me pensando que pelo restante da viagem ficariam bastante reduzidas as minhas possibilidades de registrar fotos e vídeos, pois, dessa maneira não poderia mais utilizá-la em momentos de maior ação.

De repente, “Eureka”... e num pequeno instante de lucidez em meio àquele “desespero”, atinei que o barco já estava sendo ancorado no momento em que, por inadvertido descuido, deixei cair no mar a trava da caixa de proteção câmera. Talvez tivesse uma chance de encontrar a tal peça supostamente perdida.

Consequentemente, um fiapo de esperança ressurgiu. A sorte estava lançada! E desci correndo escadaria abaixo com a certeza de que encontraria a peça. Só não pulei lá de cima para descer mais rápido porque senão correria o risco de me “espatifar” todo no fundo raso daquela parte do mar... que não era raso o bastante para encalhar o barco e nem fundo o suficiente para impedir que eu desse com a “cara” na areia.

Já estando fora do barco e com a água a bater em torno da cintura, vi a corda em que uma das pontas amarrava o catamarã e a outra prendia a âncora lançada ao mar. A corda estava totalmente estendida, porém, seu comprimento não era muito grande, o que me permitiria percorrer uma área não muito extensa para procurar o que desejava. Sugestionado pelo desespero e estado de choque em que estava, superestimei os cálculos em mais ou menos o tamanho da área de um campo de futebol (releve, leitor(a), a insanidade dos números, pela euforia do momento).

Enfim, ao trabalho seu trapalhão...  antes, porém, e em contrapartida, que não surrupiem de todo o meu mérito quando – astuto que fui – estimei o ponto onde a pequena peça havia caído, pois, no momento da tragédia consegui fitá-la com os olhos por rápidos instantes, vendo-a se afastar naquelas águas cristalinas até não mais poder alcançá-la com a vista... não porque tinha nadadeiras para se impulsionar e fugir, mas, porque a embarcação se afastava lentamente do ponto trágico fazendo um percurso de semi-círculo.

... e então fui andando de pés descalços, lentamente para não remexer a areia sob meus pés e desastrosamente enterrar de vez todas as esperanças de encontrar alguma coisa; olhando atenciosamente para o chão tentando encontrar um ínfimo pontinho preto no oceano. A paradisíaca Praia dos Carneiros estava ali, a poucos metros de distância, esperando para ser explorada, entretanto, estava disposto, literalmente, a sacrificar a visita desse magnífico local impondo-me a condição de nem mesmo colocar os pés na areia seca da praia enquanto não encontrasse a tal trava que havia se soltado da caixa da câmera.

Sem mais rodeios, o(a) leitor(a) não acreditará nessa “história de pescador” quando lhe contar que, num inacreditável golpe de sorte, após uns 20 minutos de procura, consegui encontrar a danada da peça.


Explorando a Praia dos Carneiros

— Excelente! – explanei, rindo de orelha a orelha e... sem mais delongas, a Praia dos Carneiros foi alcançada e pôde ser explorada.






Após uma longa caminhada, a fome apertou. Andando pela área dos restaurantes notei que havia pelo menos dois deles. Escolhi uma mesa vazia que estava mais próxima à beirada da praia e após folhear o cardápio pedi um belo prato de espaguete com camarões. Uma fortuna, mas, nesse dia me permiti um agrado. Pensei que poderia descontar depois economizando um pouco mais nos dias seguintes.


Depois do almoço encontrei uma sombra projetada por coqueiros em um local mais afastado da área dos restaurantes e deitei-me para fazer a sesta. É claro que não me deitei diretamente embaixo de um coqueiro porque se um daqueles cocos caísse na minha cabeça iria formar um galo enorme.


Piscinas naturais

Algum tempo depois, levantei-me e avistei a extensa barreira de arrecifes que seguia mar adentro por centenas de metros. Vi pessoas em um determinado ponto e então lembrei ter lido sobre piscinas naturais na Praia dos Carneiros.


Assim, tive a ideia de ir até lá conhecê-las, mas, a intenção não era ir por terra porque, se fosse andar desde o começo dos arrecifes, no ponto em que se juntavam à praia, demoraria para chegar até onde queria. Além do mais a caminhada por cima dos arrecifes é bem incômoda por causa das pedras pontiagudas e irregularidades do terreno.

O local onde as pessoas estavam não era tão longe, então, “homem ao mar”, e fui nadando mesmo. No começo foi mais fácil e não precisei nadar, mas, a meio caminho houve uma parte em que tive que me exercitar um pouco porque não “dava pé”.




Enquanto me dirigia até as piscinas naturais também vi algumas pessoas “andando” de stand up paddle, uma modalidade de esporte onde os praticantes ficam de pé em uma prancha e com a ajuda de um remo vão navegando para onde lhes convém. As águas calmas da Praia dos Carneiros são bastante propícias para essa prática.

Foto retirada da internet. Meramente ilustrativa.

A piscina onde entrei estava cheia de pequeninos peixes.


Tudo o que é bom dura pouco

Infelizmente, por volta das 16h, no horário combinado, o catamarã tocou a “trombeta” anunciando o horário de sua partida. Todos retornamos ao barco e aposto que as demais pessoas estavam tão contrariadas quanto eu por termos que partir e deixar para trás aquele belo pedaço de paraíso.

Posicionei-me na parte traseira da embarcação e observei a Praia dos Carneiros lentamente ficar para trás. Uma pena.


O trajeto de volta foi rápido e não levou nem meia hora para retornarmos ao píer de Guadalupe.


O ônibus e a van já nos esperavam e pelas 17h chegamos em Porto de Galinhas/PE. Aproveitei que o motorista passaria pelo centro e pedi que me deixasse por lá mesmo.

Minha intenção era apenas provar mais uma vez da “melhor tapioca do nordeste” e, depois, retornar ao hotel para os trâmites finais dessa estada em Porto de Galinhas/PE, ou seja, arrumar a bagagem para a partida do dia seguinte.


Será gasolina "batizada"?

Já de volta ao hotel, antes de me recolher definitivamente, aproveitei para sair com a moto para abastecê-la. Depois disso, notei que ela começou a desligar sozinha quando estava com o motor em rotação mais baixa, principalmente, quando era deixada em “ponto morto”. Sem mais nem menos, desligava. Até imaginei que pudesse ser gasolina adulterada.

Entretanto, fiquei preocupado com a situação e preferi procurar um mecânico para averiguar o problema. Procura ali, procura acolá, e nada. Já passava das 18h30 e nesse horário dificilmente encontraria alguma oficina aberta. O empregado de um armazém de bebidas, logo em frente ao hotel, também se ofereceu para me levar até a casa de um mecânico que ele conhecia, mas, chegando lá, “demos com a cara na porta“. Não havia ninguém.

Enquanto voltávamos para o hotel, fomos parados em uma blitz policial, porém, não houve problema algum e o agente nos liberou. Terminei por abandonar a procura e voltar para o hotel. Decidi seguir em frente no percurso do dia seguinte e ver no que daria. Muito provavelmente poderia estar certo de que a gasolina era de má qualidade. Então, decidi apostar.

Com tudo pronto para zarpar, fui dormir pouco mais além das 21h.

Hotel: R$130,00

Dicas de viagem

  • Se você é daquele tipo de turista que, como eu, gosta de tirar muitas fotos, de todos os ângulos e situações em uma viagem, tome muito cuidado ao manipular seu equipamento fotográfico, pois, um descuido ou desatenção momentânea poderá levá-lo a perder ou danificar alguma peça ou até mesmo o próprio equipamento. Digo isso porque, como puderam saber, por experiência própria, na pressa em querermos registrar aquele momento que julgamos imperdível, um movimento mais desatento e estabanado pode colocar tudo a perder, ou seja, tudo poderá ir literalmente por água abaixo.



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