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domingo, 31 de janeiro de 2016

Dia 22. Antes que o comércio feche as portas



Sábado, 23 de agosto de 2014.
De Nossa Senhora das Dores/SE a Cruz das Almas/BA, passando por Aracaju/SE (419 km).

No início do fim de semana, o que parecia ser apenas mais um dia de viagem pelas estradas do nordeste, acabou virando uma corrida contra o tempo para solucionar problemas com a moto antes que o comércio fechasse as portas. Este é o relato de mais um dia na Expedição Litoral Nordestino, uma viagem de moto que realizei sozinho pelo nordeste brasileiro durante o mês de agosto de 2014. Belíssimas paisagens foram vistas e muitas experiências foram vividas: da calmaria de um encantador pôr do sol em Jericoacoara/CE à fuga alucinada, na calada da noite, em Petrolina/PE... fortes emoções foram vivenciadas. Continue lendo para acompanhar a viagem.

Excesso de expectativa é o caminho mais curto para a frustração.
Martha Medeiros

Trajeto do dia

Trajeto de Nossa Senhora das Dores/SE a Cruz das Almas/BA.
Trajeto de Nossa Senhora das Dores/SE a Cruz das Almas/BA.


Belo início de viagem

Muito bem! De pé, às 5h30 da manhã, para mais um dia de estrada. Dessa vez não haveria passeios nem distrações turísticas. Apenas muita estrada pela frente para rodar de moto. Assim, com a bagagem já armada na moto, o tangue de gasolina cheio, o café tomado, o hotel pago... parti.

Na fase de planejamento da viagem tinha estimado passar um ou dois dias em Morro de São Paulo, na Bahia, caso houvesse tempo, porém, isso não era uma prioridade. Como já havia me desviado do trajeto original para conhecer o Cânion do Xingó/SE, então, achei melhor deixar a passagem pela Ilha de Tinharé/BA para outra oportunidade.

Dessa maneira, a programação seria deixar rapidamente Sergipe, cruzar boa parte do Estado da Bahia e chegar em Arraial d’Ajuda/BA. Estava preparado para percorrer quase mil km nesse dia até o meu próximo destino de atrações turísticas.

Nos primeiros 50 metros alcancei o asfalto da rodovia. Nos próximos que se seguiram observei que o tempo estava muito bom. Havia poucas nuvens no céu. Ainda não fazia calor. Aquela percepção da vegetação e da paisagem, que na noite da chegada em Nossa Senhora das Dores/SE não havia visto porque já era noite, somada à visão do nascer do sol, era cativante e empolgante para vencer todo o percurso estimado para esse dia. Não havia muito vento e soprava somente uma brisa fresca. A estrada, pelo menos nesse horário, estava com pouco movimento e o que ouvia era apenas o assobio fraco e constante do vento batendo em meu capacete. Vez ou outra via passarinhos, em voos rasantes, sobrevoando a estrada...


Belo amanhecer.
Belo amanhecer.
— Puxa vida, mas, que chateação! Já basta. Serão quase mil km de viagem e o sujeito vai com esse “lero-lero” até o final? – diria o leitor, já entediado.

— Vamos com isso. Acelere logo essa moto e coloque a borracha do pneu para ferver. – ainda explanaria, agora, espumando de raiva.


— Sinto muitíssimo, mas, NÃO! A moto quebrou.

Ou melhor, a corrente da moto arrebentou. Não percorri nem dois km quando de repente a moto perdeu a tração e a cada movimento no acelerador o motor “berrava”, mas, nada acontecia. Minha preocupação maior passou a ser tirar a moto da estrada. De fato, ao parar no acostamento comprovei que a corrente tinha se desencaixado e escapado do seu curso.


Parou porque? Problemas com a moto.
Parou porque? Problemas com a moto.

Corrente da moto fora do trilho.
Corrente da moto fora do trilho.
Isso me fez pensar em duas possibilidades: 1) ela estava folgada demais, o que não era verdade, pois, conferi no dia anterior e estava tudo em ordem ou 2) havia quebrado alguma peça (a própria corrente ou a coroa/pinhão). Depois de conseguir recolocá-la no seu lugar fiz uma inspeção minuciosa e vi que o inconveniente era mesmo na corrente. Ela estava quebrada, porém, não tinha se partido totalmente.


Tentando recolocar a corrente da moto.
Tentando recolocar a corrente da moto.

Tentando consertar a motocicleta.
Tentando consertar a motocicleta.

Deu certo! Corrente no trilho outra vez.
Deu certo! Corrente no trilho outra vez.

Gomo partido da corrente da moto.
Gomo partido da corrente da moto.
A solução era voltar até o hotel em Nossa Senhora das Dores/SE, pois, lá, tentaria encontrar um mecânico para ajudar na questão. Era a única alternativa porque naquelas condições não poderia seguir adiante. Consequentemente, fiz a volta, liguei o pisca alerta, me apossei do estreito acostamento e, a 10 km/h, retornei ao hotel sem mais problemas.


Voltando bem devagar pelo acostamento.
Voltando bem devagar pelo acostamento.


Preciso resolver isso antes do meio-dia

Ao pedir informações ouvi dos funcionários que naquela cidade não seria viável encontrar uma corrente nova para a minha moto. O jeito foi chamar o caminhão guincho para transportar a moto até Aracaju/SE, distante dali uns 70 km.

Eram 6h45 da manhã e o reboque só poderia chegar por volta de 8h30. Então, tive que esperar. Apesar de tudo me dei conta de que estava com sorte por ter acontecido logo cedo, de outra maneira, se tivesse ocorrido mais tarde e em outro ponto mais afastado na estrada, muito provavelmente, teria tido mais dificuldades para pedir ajuda. Ainda mais, por ser sábado, o comércio fecharia as portas mais cedo.

Ótimo! Tudo parecia encaminhado. Contudo, ainda estava com o inconveniente de  precisar encontrar um banco para sacar mais dinheiro e pagar o guincho. Na verdade até tinha algum trocado para acertar o serviço, mas, depois, ficaria despreparado financeiramente para qualquer outra complicação que surgisse no meio do caminho e para a qual fosse necessário desembolsar algum dinheiro. Segundo informações do funcionário do posto havia um banco localizado no centro da cidade até o qual não daria para ir a pé. Entretanto, isso não foi problema porque ele fez questão de me emprestar sua moto. Não recusei a oferta.


Moto emprestada para ir ao banco.
Moto emprestada para ir ao banco.
No horário combinado o reboque chegou, colocamos a moto na plataforma do caminhão e fomos para Aracaju/SE, direto para uma oficina onde seria certo que encontraria uma corrente nova, segundo informou o motorista.


Funcionários do posto ajudaram a pedir um reboque.
Funcionários do posto ajudaram a pedir um reboque.

De dentro do reboque.
De dentro do reboque.

Ai que "facada"!

Chegamos na oficina em Aracaju/SE aproximadamente às 10h30. Conferi na loja se havia alguma corrente compatível com a minha moto e ao receber a confirmação do dono da loja dizendo que se não tivesse iria me ajudar a encontrar para resolver o problema, então, tranquilizei-me e fiz sinal ao motorista do guincho que eu ficaria nessa oficina.

Para minha felicidade o dono da oficina já tinha uma corrente em seu estoque. Também acabou trocando a pastilha de freio da roda traseira e colocou um novo protetor de corrente, a mesma peça que eu havia tirado dias atrás no interior do Estado do Maranhão (veja o relato do Dia 02. “No meio do caminho tinha uma pedra”, ou melhor, buracos - para saber/relembrar o que aconteceu).

A moto foi levada para dentro da oficina e ao meio-dia me peguei em frente ao balcão pagando as contas e me contorcendo pela “facada” que levei ao ouvir o preço final. Um prejuízo daqueles.

Antes de iniciar essa viagem, como de costume, a moto tinha passado por uma revisão completa e, depois, fui descobrir que não precisava ter trocado todo o kit de relação, bastando apenas ter substituído a corrente. Por ingenuidade e falta de conhecimento fui convencido, como falei, a trocar o kit de relação completo, desnecessariamente, o que ajudou a elevar o custo da reparação da moto. Paciência.


De volta para a estrada

Com o problema resolvido segui viagem e a primeira tarefa, facilitada pelo GPS, foi encontrar a BR-101.


Saindo de Aracaju/SE com a moto consertada.
Saindo de Aracaju/SE com a moto consertada.

Pedindo informação em Aracaju/SE.
Pedindo informação em Aracaju/SE.
Durante todo o percurso o céu esteve “limpo” e com poucas nuvens no céu, o que ajudou a elevar o calor. Após 350 km, por volta das 17h45, cheguei em Cruz das Almas/BA. Como já estava prestes a escurecer e devido à infeliz experiência que tive no início do dia, achei mais conveniente encerrar a viagem e procurar um hotel para passar a noite.


Mais um reboque em ação.
Mais um reboque em ação.

Céu sem nuvens e muito calor na Bahia.
Céu sem nuvens e muito calor na Bahia.

BR-101. Bahia.
BR-101. Bahia.

Sol na frente no fim do dia.
Sol na frente no fim do dia.

Bela paisagem de fim de tarde.
Bela paisagem de fim de tarde.

Pose para a foto no pôr-do-sol.
Pose para a foto no pôr-do-sol.

Cruz das Almas/BA.
Cruz das Almas/BA.
Acomodações do hotel:


Quarto do hotel em Cruz das Almas/BA.
Quarto do hotel em Cruz das Almas/BA.
Hotel: R$120,00.


Dicas de viagem

  • Em viagens no nosso próprio país pode ser uma tentação viajar carregando menos dinheiro por causa da facilidade de se utilizar cartões de débito/crédito, porém, por precaução, nunca deixe de levar algum trocado em espécie para ser usado em emergências nas quais o cartão não vai resolver. Por exemplo, como no meu caso, para pagar pelo serviço de um caminhão reboque, ou para as despesas em postos de gasolina que não aceitarem cartão.
  • Na medida do possível procure conhecer um pouco da mecânica de sua moto. Não precisa saber como funciona cada peça, mas, conhecer pelo menos o funcionamento daqueles itens que costumam estragar com mais frequência pode ser de grande valia na hora de ajudar algum mecânico a consertar um problema que surgiu na viagem. Além disso, ajuda a ser mais objetivo na hora da reposição de peças danificadas ou desgastadas que terão que ser substituídas ao longo de uma viagem.




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