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quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Dia 08. Um belíssimo passeio pelos Lençóis Maranhenses


Sábado, 09 de agosto de 2014.
Barreirinhas / MA (0 km).


Descobrindo os Lençóis Maranhenses. Travessia de rios, banho em lagoas e caminhada no deserto foram as atividades do dia... Este é o relato de mais um dia na Expedição Litoral Nordestino, uma viagem de moto que realizei sozinho pelo nordeste brasileiro durante o mês de agosto de 2014. Belíssimas paisagens foram vistas e muitas experiências foram vividas: da calmaria de um encantador pôr do sol em Jericoacoara/CE à fuga alucinada na calada da noite em Petrolina/PE... fortes emoções foram vivenciadas. Continue lendo para acompanhar a viagem.
O que dá beleza ao deserto é que esconde um poço de água em alguma parte. - Saint-Exupêry


Trajeto do dia

  • Rio Preguiças (Povoado Tapuio e outros vilarejos);
  • Lençóis Maranhenses (Lagoa bonita).

Investigando o ambiente

Enfim... Os Lençóis Maranhenses. Ansioso que estava, acordei cedo e esperei pelo horário da primeira atividade do dia, um passeio de barco pelo rio Preguiças e vilarejos espalhados pelas suas margens. Enquanto isso, dei uma volta pelo interior do hotel para conhecê-lo. Vi que existia um espaço bastante agradável, com mesas e cadeiras na beirada do rio, e lá sentei-me para esperar.





Refleti um pouco. Voltei no tempo, até o momento da primeira vez em que vislumbrei a possibilidade de ir de moto até os Lençóis Maranhenses. Naquela época, visualizando o mapa, somente via dois pontos: minha cidade de um lado, de onde teria que partir, e os Lençóis Maranhenses na outra ponta, onde almejava chegar. Entre esses dois extremos, uma imensidão de terra a ser transposta. Não sabia sobre as dificuldades que enfrentaria nem por quais caminhos passaria. Apenas sei que procurando aqui e ali por uma solução para as muitas perguntas as rotas foram sendo descobertas e as dúvidas esclarecidas.

Por mais enfadonho que eu possa ser, apenas repetindo o que muitos já disseram, parando para pensar e honestamente falando, é tão possível alcançarmos e concretizarmos nossos objetivos ou sonhos quanto nos foi um dia imaginá-los, bastando que para isso vejamos o ponto de chegada simplesmente como sendo o somatório de vários outros objetivos relativamente pequenos a serem concluídos no meio de uma jornada maior, que é o nosso principal objetivo ou sonho. Dessa maneira, tendo planejado minimamente o que fazer um dia após o outro, como resultado, lá estava eu, no ponto principal de todo o trajeto, os Lençóis Maranhenses. 


Conhecendo o rio Preguiças  

No horário marcado, o guia Leandro passou no hotel para me buscar. Seguimos direto para o porto de Barreirinhas/MA, localizado na Avenida Beira Rio, de onde parte a maioria dos passeios de barco pelo Rio Preguiças. Apenas como curiosidade, essas pequenas embarcações que nos conduzem pelo rio são chamadas pelos moradores locais de “voadeiras”.




Ao chegarmos ao deque fui apresentado ao Antônio, que já me esperava para partirmos. Depois de embarcar, ele forneceu-me um colete salva-vidas (de uso obrigatório) e, então, zarpamos. No início, a partir do ponto em que estávamos, seguimos para a esquerda, ou seja, no sentido contrário ao curso do rio.




De fala mansa e ao mesmo tempo entusiasmada foi contando-me sobre a história do lugar e narrando curiosidades sobre a região. Dentre elas disse-me que o nome do rio é Preguiças devido à sua fraquíssima correnteza. Ao longo do trajeto algumas paradas rápidas eram feitas a fim de esclarecer-me sobre a vegetação local e os frutos da região (a exemplo, o açaí, cupuaçu, buriti) ou para que eu pudesse apreciar a beleza do lugar.




Mais adiante, "cortamos caminho" por um atalho criado pelos pescadores da região para facilitar a locomoção pelo rio.



Também passamos por algumas comunidades e vilarejos que sobrevivem, basicamente, da pesca, do turismo, do artesanato, da fabricação artesanal de farinha de mandioca (no povoado Tapuio).





Aproximadamente uma hora depois, fizemos a volta e começamos a retornar para Barreirinhas.



Mas, não paramos por aí. Passamos pela enorme duna de areia localizada no centro da cidade de Barreirinhas/MA.




Continuando o passeio, dessa vez, seguindo o curso do rio, fomos atracar no povoado Tapuio.



Visitamos a casa da farinha, local onde é produzida a farinha de mandioca caseira, bastante consumida em todo o Maranhão, e onde pude conhecer um pouco de seu processo artesanal de fabricação.



Mais para o final da visita, para relaxar e reidratar o organismo, tomamos água de coco bem gelada.



Instantes depois, iniciamos o retorno até Barreirinhas. Já eram 11h30 quando chegamos à cidade. Paguei o valor do passeio (R$80,00) e nos despedimos. Estava “varado“ de fome. Então, comecei a procurar um restaurante por ali mesmo, na Avenida Beira Rio. Porém, antes, caminhei até o Morro da Ladeira, que é o nome dado à grande duna existente no centro de Barreirinhas.




Muito bem! Após o almoço voltei para o hotel. Era o momento de aguardar pelo "prato" principal do dia: o passeio às dunas e lagoas dos Lençóis Maranhenses.


Segura peão!

Pontualmente, às 2h o carro de passeio chegou. Fui o último a ser apanhado e outros três casais já haviam embarcado. No caminho, ainda em Barreirinhas, o procedimento padrão de todos esses veículos é parar em um mercadinho a fim de que os turistas possam comprar água, protetor solar e outros utensílios antes de definitivamente acessarem a estrada para os Lençóis.

Depois das compras, subimos na caminhonete e iniciamos, sem mais rodeios, a corrida até o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Logo na saída de Barreirinhas tivemos que atravessar o rio Preguiças de balsa. Ficamos na fila uns 30 minutos até que chegasse a nossa vez de continuar a viagem.





Este é o Leandro, nosso guia e motorista.



Corra, se prepare! Lá vamos nós, pois, a balsa já vem voltando para nos pegar.





— E então? Pronto? Pergunto ao(à) leitor(a), pois, é do outro lado do rio que começa a verdadeira emoção.



Segure-se o(a) leitor(a) como puder porque “no banco da frente vai balangar, no do meio vai sacudir e no detrás... vai pular igual a touro bravo”, comentou o guia Leandro.

Aliás, é bom dizer que quem se sentar nas laterais do veículo deve tomar muito cuidado para não se machucar com os galhos das árvores que chegam a ricochetear nas laterais da jardineira (leia-se veículo de passeio, pois, é como são chamados por lá) quando ela passa por caminhos de mata mais densa. Dessa maneira, exatamente como predito, fomos sacolejando durante mais de uma hora até o ponto de entrada do parque dos Lençóis Maranhenses a partir do qual os carros não avançam mais.



Apenas para se ter uma ideia, escolhi o passeio à Lagoa Bonita que fica localizada em um ponto de altitude mais elevada. A duração dessa brincadeira é de umas quatro horas, ou seja, duas horas de deslocamento (ida e volta) e mais duas de permanência no parque para conhecer as dunas e lagoas. 

Durante todo o percurso trafegamos entre vegetação formada por árvores mais altas que os veículos de passeio e de uma cor verde tão intensa que  pela aparência árida do terreno  ficava difícil acreditar em tamanha vivacidade e de existir aquele matagal todo por ali. Cruzamos alguns pequenos riachos e vimos muita areia pelo caminho. Além disso, o percurso era formado por inúmeros desvios que apenas quem conhece claramente o lugar sabe por onde seguir.


Um "Monte Everest" de areia

Muito bem! Ao chegarmos no “pé” da grande duna que dá acesso ao parque, já fui logo fazendo pose ao lado da placa oficial.



Daí para frente era só morro acima e o objetivo da vez foi alcançar o cume da duna que tinha uma altura aproximada de 80 metros, segundo nos informou um dos guias.

Em tempo, não cometa, o(a) leitor(a), o erro de olhar para trás sob pena de se frustrar, pois, naquela areia fofa você andará quilômetros e ainda achará que não saiu do lugar.



Entretanto, não se preocupem os mais despreparados fisicamente porque há uma corda para ajudá-los na escalada.



E a subida continuou...





Admirado com a paisagem 

Ao final da "montanha" pude erguer a bandeira da vitória e apreciar a belíssima paisagem das inúmeras dunas e lagoas e ter uma visão panorâmica da região, até onde a vista alcançava.



Ora! Àqueles fotógrafos mais puristas que queriam ver uma foto só da paisagem, que “se matem de raiva”, mas, eu não passei por aquela pena e todo o aporrinhamento no lombo da caminhonete, no deslocamento até esse ponto (e depois, já cansado, na volta até Barreirinhas) e pela árdua escalada desse Everest de areia, digna dos doze trabalhos de Hércules, para no final não sair na foto também... Ora batuta!

Depois, a caminhada continuou até uma das lagoas onde ficamos liberados para darmos um mergulho e nos refrescarmos do calor.




Divertido mesmo foi subir no alto da duna bem íngreme e adjacente à lagoa, pegar impulso numa penosa corrida na areia e pular na direção da água. É claro que não iria cair direto na água porque isso somente o Jadel Gregório (atleta brasileiro e recordista no salto triplo) conseguiria, mas, a sensação de se jogar lá de cima e cair amortecido pela areia fofa era bastante divertida. Brincadeira de menino mesmo. Tudo bem que, analisando racional  e milimetricamente, a distância total do salto não passava de alguns centímetros, mas, na minha cachola, a briga era por medalha e um lugar no pódio.




Na verdade, eram muitas Lagoas Bonitas

Mais para o final da tarde o guia nos chamou para retornarmos e assim o fizemos, contudo, por um caminho diferente, a fim de passarmos pela Lagoa Bonita.





Em seguida continuamos pelo trajeto da volta até o ponto inicial da caminhada sobre as dunas e ali nos reunimos para assistir ao belíssimo entardecer dos Lençóis Maranhenses.





Esse é o Coreano, o outro guia que nos acompanhou pelo trajeto das dunas.



E chegamos ao fim da tarde acompanhando o espetáculo do pôr do sol.



Corre, senão, pega fila

Saímos antes do anoitecer, rapidamente, para evitarmos fila no momento de pegarmos a balsa, o que não adiantou muito, pois, ainda ficamos uns 30 minutos esperando a nossa vez de atravessar o rio de volta para Barreirinhas.

Deixaram-me no hotel e prontamente paguei o valor cobrado pelo passeio que foi de R$60,00. Fui para o quarto, tomei um banho e, antes mesmo de comer alguma coisa, comecei a arrumar a bagagem, pois, partiria da cidade bem cedo no dia seguinte.

De acordo com o cronograma, Jericoacoara, no Ceará, era o meu próximo destino da viagem. Por acaso o(a) leitor(a) se lembra do Hilton, o guia que ajudou-me a encontrar um hotel na noite anterior? Pois, então, era para ele que eu teria que ligar nesse momento. Assim o fiz porque ele se dispôs, nas tratativas iniciais da noite anterior, a ser o meu guia no trajeto através das estradas secundárias e nos primeiros km que me levariam à rodovia MA-315. Ou seja, a um ponto qualquer entre as cidades de Paulino Neves/MA e Tutóia/MA como ilustra a próxima imagem.



Para minha sorte, ele atendeu seu telefone quando liguei. De outra maneira, teria que sair, às pressas, para procurar outro guia que pudesse realizar essa tarefa. Eram umas 20h quando conversamos e combinamos tudo. Ficou acertado que ele passaria bem cedo no hotel, às 6h30, e partiríamos assim que possível.

Consequentemente, estando tranquilo por ter resolvido essa pendência, terminei de arrumar toda a bagagem e, ao final, solicitei um lanche que foi feito no próprio hotel. Antes mesmo das 10 badaladas já me encontrava dormindo, tamanha foi a canseira com que terminei o dia por causa das atividades realizadas.

Hotel: R$145,00.


Dicas de viagem

  • Algumas lagoas são mais resistentes ao deteriorante calor dessa região – por exemplo, a Lagoa do Peixe – contudo, mesmo elas podem sofrer com a ação da estiagem, chegando a níveis bem baixos quanto ao volume de água. Dessa forma, a melhor época para visitar a região é de Junho a Setembro sob pena de ver somente areia na maior parte dos Lençóis Maranhenses em outras épocas.
  • O clima é seco e mesmo no inverno faz muito calor, portanto, tenha cuidado com o sol e use bastante protetor solar e óculos escuros.
  • É bem sensato levar uma garrafa de água para os passeios, pois, nem sempre você terá condições de comprar algo para beber na hora em que estiver com sede, principalmente, no passeio ao Parque dos Lençóis.
  • Dentre as principais e mais visitadas, a Lagoa Bonita é mais alta e está em uma localidade privilegiada, podendo a vista alcançar boa parte do horizonte. Por outro lado, a Lagoa Azul tem águas mais cristalinas.
  • O trajeto da estrada de areia, de Barreirinhas até o ponto de entrada do Parque dos Lençóis Maranhenses é de piso bastante irregular. Então, prepare-se, pois, vai sacudir “pra dedéu”. Por isso não é um passeio recomendado para crianças muito pequenas ou pessoas mais idosas que por ventura não tenham muita força para se segurarem. 
  • Ir com veículo próprio até a entrada do parque é totalmente desaconselhável, uma vez que você pode atolar ou terminar por se perder em um dos diversos desvios existentes.
  • Em quaisquer passeios que fizer, seja pelo rio ou por terra, tome cuidado com o chapéu. Se bobear, garanto que você vai voltar sem ele poque o forte vento vai levá-lo para longe.



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