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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Dia 07. Uma Lição aprendida


Quinta-feira, 05 de setembro de 2013.
De Samaipata/Bolívia a Comarapa/Bolívia (171 km)

Atrasos e desatenções podem comprometer a programação de uma viagem de moto. Foi perdida a chance de visitar o Salar de Uyuni... Este é o relato de mais um dia na Expedição América do Sul, uma viagem de moto que fiz acompanhado do primo Pedro passando por alguns países da América do Sul durante o mês de setembro de 2013. Uma viagem extraordinária em que foram vivenciadas muitas emoções ao longo do trajeto. Passamos calor e frio, tivemos alegrias e dificuldades, momentos de tranquilidade e apreensão. Continue lendo para acompanhar a viagem.


Trajeto do dia:
Trajeto de Samaipata/Bolívia a Comarapa/Bolívia - 171 km.
Trajeto de Samaipata/Bolívia a Comarapa/Bolívia.

Trajeto detalhado:
Trajeto detalhado de Samaipata/Bolívia a Comarapa/Bolívia - 171 km.
Trajeto detalhado de Samaipata/Bolívia a Comarapa/Bolívia.

Mas que enrolação...

Acordei às 7h, olhei aquela bagunça toda e pensei: "nuuhh!, não vamos sair cedo, nem que a vaca tussa"; então, aproveitei algum tempo para fazer anotações no diário de viagem, já que o Pedro ainda dormia e, quando acordasse, teria mais coisas para organizar do que eu.
Atualizando o diário de viagem.
Atualizando o diário de viagem.

Assim que levantei, coloquei outras baterias da câmera para carregar, tomei vitamina C e algum remédio para garganta, pois, já começava a ficar irritada. 


Após algum tempo, bagagem arrumada, lubrifiquei a corrente e analisei alguns outros itens da moto para ver se estava tudo em ordem (procedimentos rotineiros e realizados todos os dias, durante a viagem).



Lubrificando a corrente da moto antes de partir.
Lubrificando a corrente da moto antes de partir.


Pedro e os cuidados com a moto.
Pedro e os cuidados com a moto.
Tivemos trabalho para prender os alforges na moto, pois, como comentei anteriormente, demorava um pouco para prender as fitas do alforge no suporte. Era necessário dar várias voltas para amarrar com segurança e não deixar os alforges soltos. Finalmente, com tudo pronto...

Pose para foto antes de partir.
Pose para foto antes de partir. Foto cedida pelo Pedro.
...conseguimos partir por volta das 11h. Antes de sair para a estrada, também vale dar destaque ao varal ambulante que frequentemente montamos, na traseira da moto, para secar as roupas molhadas ou úmidas.

Pedindo informação para sair da cidade:


Pedindo informação para sair de Samaipata / Bolívia.
Pedindo informação para sair de Samaipata / Bolívia.
Foto cedida pelo Pedro.

Passando do ponto

À exceção de alguns poucos pontos, trafegamos pela estrada com um piso em boas condições. Estivemos rodeados de montanhas o tempo todo, até a cidade de Mairana / Bolívia.

Descendo a serra sob outro ângulo.
Descendo a serra sob outro ângulo.
O clima parecia brincar conosco, pois, já notávamos desde San José de Chiquitos que, de manhã cedo e no fim de tarde em diante, quando o sol se encontrava mais inclinado, a temperatura ficava fria o bastante para precisarmos utilizar o forro interno da jaqueta e, geralmente, das 10h até umas 16h, o calor se tornava uma constante, obrigando-nos a desmontar a jaqueta novamente. A seguir, uma parada para refrescar e dar sequência ao “tira e põe” o forro interno do casaco:

Parada para hidratação por causa do calor intenso.
Parada para hidratação por causa do calor intenso.
Mais à frente, chegamos na cidade de Mairana onde abastecemos o tanque da moto e os galões reserva.
Abastecendo o tanque da moto e o galão reserva no pé da serra.
Abastecendo o tanque da moto e o galão reserva no pé da serra.
Continuando a viagem, antes da cidade de San Isidro deveríamos ter desviado para Ruta Nacional 5, entretanto, a entrada estava tão mal sinalizada e confusa que, sem percebermos, passamos o ponto em mais uns 15 km. Em tempo, perto de Comarapa, resolvi solicitar informações a um morador local que nos alertou sobre nosso equívoco de já termos passado a entrada correta.

Antes de voltarmos, eu desconfiava que poderíamos errar novamente, levando-nos a perder mais tempo consertando o erro e tentando acertar o caminho novamente, dentre as muitas saídas que encontramos ao longo da estrada até aquele ponto. Dessa forma, era hora de ligar o GPS e colocá-lo para funcionar e cumprir o seu papel. Acionei o GPS, pela primeira vez, e ele nos guiou, de maneira precisa, até o desvio para a RN5 onde deveríamos ter entrado.


Uma difícil decisão

A estrada, que em alguns pontos já demonstrava precariedade, passou a ser totalmente de terra e, após uns 10 km, as condições pioraram com o fato de haver muita terra e areia fofa, dificultando bastante a pilotagem porque o pneu da frente dava umas escorregadas; literalmente patinava. Era preciso ter bastante cautela, dadas as circunstâncias, pois, um descuido poderia levar a moto ao chão.


Chão de terra fofa. Difícil de pilotar a moto.
Chão de terra fofa. Difícil de pilotar a moto.
Estávamos a mais de 500 km do destino do dia (de acordo com o cronograma). Foi difícil chegar a Saipina, e já eram 15h quando começamos a almoçar.

Hora de almoçar e decidir sobre seguir em frente ou voltar.
Hora de almoçar e decidir sobre seguir em frente ou voltar.


Degustando um belo prato feito.
Degustando um belo prato feito.
Como disse o Pedro: 
“De barriga vazia não dá para pensar direito”. 

Então, terminamos de almoçar, pegamos o mapa impresso da Bolívia e nos concentramos na situação:
  • eram 15h45;
  • ainda restavam quase 600 km até o destino do dia (Uyuni, segundo o cronograma);
  • já nos encontrávamos atrasados no cronograma, por causa da rotineira demora em sair de viagem nos dias anteriores;
  • deveríamos ter, muito provavelmente, mais uns 350 km de estradas de terra até Uyuni o que, naturalmente, já reduziria a velocidade de cruzeiro e tornaria a viagem mais lenta e cansativa;
  • não sabíamos se as condições da estrada melhorariam, ou se ela se manteria difícil e fatigante como já estava... ou, até mesmo, passaria dessa para pior;
  • os ingressos para Machu Picchu e da montanha Huayna Picchu, no Peru, já estavam comprados e não haveria chance alguma de comprarmos outros na véspera, caso perdêssemos o horário indicado do ingresso;
  • o cansaço, provocado pelo forte calor, já começava a nos incomodar.
Diante de tantos e convincentes motivos, com bastante pesar e frustração, fomos obrigados a tomar a difícil decisão (pelo menos, emocionalmente) de suspender a viagem até Uyuni por este caminho que seguíamos. Portanto, no caminho de “ida” do trajeto não iríamos passar em Uyuni para conhecer o famoso e gigantesco deserto de sal: o Salar de Uyuni.

Disso tudo, a frustração maior se dá, não pelas condições da estrada ou a distância que nos faltava, mas sim, pelo mau hábito de demorarmos a arrumar a bagagem e sairmos, geralmente, em um horário já avançado da manhã (como exemplos, os últimos três dias, respectivamente, 11h30, 09h45, 11h).

Em uma viagem dessas, na qual o cronograma é bem apertado, devendo-se manter um ritmo mais forte e constante de viagem, é fundamental respeitar o dever de estar na estrada logo cedo, no início do dia, a fim de ter tranquilidade para cumprir a meta de quilômetros daquele dia e, principalmente, poder usufruir com calma o passeio e as belas paisagens com as quais nos deparamos ao longo do caminho.

Uma bela vista das montanhas.
Uma bela vista das montanhas.


Calor intenso e sol a pino.
Calor intenso e sol a pino.


Calor intenso, sol a pino e terra fofa.
Calor intenso, sol a pino e terra fofa.


Bonita paisagem ao longe.
Bonita paisagem ao longe.
Devolvi o mapa para o alforge e voltamos, pelo mesmo caminho, até a interseção com a Ruta Nacional 7 onde seguimos em direção a Comarapa / Cochabamba. O pior de tudo foi ter que “comer” a poeira que levantamos na ida...


Comendo poeira na volta.
Comendo poeira na volta.
E enfrentar toda aquela terra e areia fofa novamente:


A estrada de chão de terra solta não ajuda na pilotagem.
A estrada de chão de terra solta não ajuda na pilotagem.


Pilotagem difícil nessa estrada de terra.
Pilotagem difícil nessa estrada de terra.

A atenção com animais era constante:


Muita atenção com animais cruzando a pista.
Muita atenção com animais cruzando a pista.

E mais uma bela imagem registrada pela câmera, na hora exata:


Pôr do sol escondido.
Pôr do sol escondido.

A maioria dos motociclistas anda sem capacete, na Bolívia:


Andar sem capacete é prática comum na Bolívia.
Andar sem capacete é prática comum na Bolívia.


Encerrando o dia

Por fim, chegamos em Comarapa/Bolívia por volta das 16h45 e o Pedro foi perguntar a um morador local a respeito de onde poderíamos nos hospedar.


Procurando hotel em Comarapa / Bolívia.
Procurando hotel em Comarapa / Bolívia.
Pouco tempo depois nos instalamos no hotel que encontramos bem na frente do lugar onde o Pedro havia pedido informações:


Fachada do hotel em Comarapa / Bolívia.
Fachada do hotel em Comarapa / Bolívia.


Motos guardadas na garagem do hotel em Comarapa / Bolívia.
Motos guardadas na garagem do hotel em Comarapa / Bolívia.
Nesse hotel não ficamos no mesmo quarto e, sem supervisão e com um quarto só para ele, o Pedro aprimorou sua arte de montar varal. Quando abri a porta do seu quarto, nossa!...

Pedro se superou ao montar seu varal no quarto hotel em Comarapa / Bolívia.
Pedro se superou ao montar seu varal no quarto hotel em Comarapa / Bolívia.
Fomos jantar às 19h30 e comemos um prato que, se lembro bem, se chamava Silpancho. Melhor mostrar as fotos logo:


Pose para foto no jantar.
Pose para foto no jantar.


Pedro e seu PF gigante.
Pedro e seu PF gigante.
Ainda tentei configurar, sem sucesso, o GPS do Pedro, pois, não reconhecia os mapas colocados nas pastas do cartão de memória.

Dormi cedo nesse dia porque a lição fora aprendida e, no dia seguinte, sairíamos cedo. Sim, foi o que eu disse. E, dessa vez, não estou brincando!

Imagens do quarto do hotel:


Quarto do hotel em Comarapa / Bolívia.
Quarto do hotel em Comarapa / Bolívia.


Quarto do hotel em Comarapa / Bolívia. Outro ângulo.
Quarto do hotel em Comarapa / Bolívia. Outro ângulo.
Hotel: $50 bolivianos (US$7,18)




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