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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Dia 04. Bobeou, dançou


Terça-feira, 05 de agosto de 2014.
Lençóis/BA (0 km).

Uma bela visita aos poços Encantado e Azul, na Chapada Diamantina, e a frustração por um acidente no final do dia... Este é o relato de mais um dia na Expedição Litoral Nordestino, uma viagem de moto que realizei sozinho pelo nordeste brasileiro durante o mês de agosto de 2014. Belíssimas paisagens foram vistas e muitas experiências foram vividas: da calmaria de um encantador pôr do sol em Jericoacoara/CE à fuga alucinada na calada da noite em Petrolina/PE... fortes emoções foram vivenciadas. Continue lendo para acompanhar a viagem.
Muitas pessoas acham que estão na vida a passeio, pena que muitos quando acordam para a verdadeira realidade, já é muito tarde. - Jorge Tolim


Trajeto do dia

  • Poço Encantado (município de Itaetê/BA);
  • Poço Azul (município de Nova Redenção/BA).
Foto retirada da internet. Meramente ilustrativa.

O Poço Encantado


Mais uma vez estava de pé, logo cedo, esperando a chegada dos guias André e Josemar para o passeio que seria a visita aos poços Azul e Encantado. Assim, enquanto aguardava lembrei-me de registrar uma foto da “gambiarra” feita para segurar o protetor de corrente que havia quebrado na estrada dias antes.



No horário combinado vejo chegar o carro da empresa de turismo. Logo tomamos a direção para Andaraí/BA.







Alguns km além de Andaraí/BA, paramos em um local muito bonito, chamado “Toca do Morcego”, onde pudemos registrar belas fotos da paisagem.










Este era o jipe que nos levava no percurso do dia, no estilo daqueles de safári.



Por volta de uns 125 km distante de Lençóis entramos à direita em uma estrada de terra que nos guiaria até o Poço Encantado, primeira atração do dia. Estava ansioso por conhecer o local.



A estrada lembrou-me bastante uma por onde tinha passado dias antes no caminho para Lençóis/BA. Cheia de buracos, de pouco rendimento e que nos obrigava a seguir a passos lentos por causa das péssimas condições da pista, porém, dessa vez, a aventura era de jipe (veja o relato do “Dia 02. No meio do caminho tinha uma pedra, ou melhor, buracos” para saber o que aconteceu).







Até chegarmos ao Poço Encantado, localizado no município de Itaetê/BA, levamos em torno de 1h30, desde Lençóis/BA. Já na recepção, os funcionários responsáveis pela visitação entregaram a cada visitante um capacete com lanterna acoplada e uma touca higiênica para vestirmos por baixo. A entrada é controlada e permite poucas pessoas por vez (até umas 15).



Após todos estarmos prontos, o guia local nos convocou para a descida até o poço cuja duração da visita foi em torno de 30 minutos. A caminhada até a gruta não é difícil sendo necessária certa atenção na entrada da gruta, pois, é um tanto apertada e os últimos degraus foram moldados na própria pedra e a areia/terra espalhada pelo chão pode provocar um escorregão.









Num determinado ponto da descida há uma escada bastante íngreme onde os cuidados devem ser redobrados, principalmente, porque a única fonte de iluminação na trilha dentro da gruta é a da lanterna de cabeça. Por outro lado, também existem cordas que ajudam no trajeto.



Por fim, chegamos ao ponto alto da visita, a visão do poço com os raios do sol se projetando para dentro da gruta formando uma bela imagem de coloração azul da água. Uma pena a minha câmera de vídeo não ser muito boa em ambientes com pouca iluminação, mas, de qualquer maneira, fiz uma pose apenas registrar a presença.





Posso garantir que, pessoalmente, o Poço Encantado é de uma beleza extraordinária. Segundo as informações dadas pelos guias, a melhor época para visitá-lo está entre os meses de abril e setembro, das 9h30 às 14h, pois, corresponde ao período em que os raios solares incidem diretamente sobre a água provocando uma ilusão de ótica sensacional.

Foto retirada da internet. Meramente ilustrativa.

Não é permitido nadar nas águas do Poço Encantado. Todavia, de tempos em tempos um funcionário entra na água a fim de remover o excesso de poeira depositada sobre ela deixando-a ainda mais límpida e transparente. A profundidade fica em torno dos 60 metros. Em determinado momento, o guia nos convidou a apagarmos todas as luzes e ficarmos em silêncio para apreciarmos a quietude e beleza do lugar.


Ao terminarmos a visitação, de volta ao início da trilha, antes de irmos embora, tivemos um tempo para tomamos um refresco na singela lanchonete montada para apoio ao turista. O lugar é bem estruturado e possui mesas, cadeiras e banheiro de maneira que não é necessário se preocupar em levar água e comida para o local.


Não precisou nem de balsa

Voltando um pouco pela estrada de terra, chegamos novamente à BA-245, por onde apenas cruzamos e seguimos por mais uma de chão de terra que se iniciava do outro lado da rodovia.


Alguns km depois, demos de frente com o rio Paraguaçu que precisaríamos transpor para chegarmos ao Poço Azul.





Ao chegar perto da margem o motorista parou o jipe. Até então, havia avistado uma pequena balsa que pensei ser o meio de transporte que nos levaria, à pé, até a outra margem do rio, pois, era muito pequena para que pudesse caber um carro em cima. De repente, o Josemar (guia que dirigia o nosso veículo) saiu do carro e foi realizar algum procedimento nas rodas dianteiras. Nesse momento, pensei na possibilidade de que atravessaríamos o rio com o próprio carro e quando ele voltou para dentro, soltou o freio de mão, engrenou a primeira marcha e perguntou se estávamos prontos. Então, tive a certeza sobre o que havia pensado anteriormente.


Bastou uma pisada no acelerador para nos colocar em movimento indo de encontro ao rio. Poucos segundos depois estávamos nós, lá no meio, cortando as águas do Paraguaçu.





Enquanto isso, o Josemar nos contava que tal tarefa só era possível porque o carro tinha tração nas 4 rodas, caso contrário, teríamos sido obrigados a dar uma volta muito maior por outro caminho.


Pois bem, transposto o rio, uns 200 metros depois, chegamos ao ponto de acesso ao Poço Azul. No local há boa infraestrutura contando com um restaurante de comida caseira e banheiros.





Como já passava de 13h30, decidimos almoçar primeiro e, somente depois, ir visitar o Poço Azul. Localizado no município de Nova Redenção/BA, a melhor época para visitação é no outono/inverno, por causa da incidência direta dos raios do sol em suas águas. Além disso, segundo o nosso guia, o melhor horário vai de 12h30 às 14h.



O Poço Azul

Algum tempo depois, terminado o almoço, era hora de conhecer a segunda atração do dia. Para quem quiser entrar na água, bem na frente do restaurante tem um vestiário para que se possa trocar de roupa e, do lado de fora, há duchas que os visitantes devem utilizar para remover a oleosidade e o excesso de poeira do corpo a fim de evitar que essas impurezas sejam liberadas na água do poço tornando-a menos límpida.

Muito bem, quando estiver pronto para cair na água, um funcionário lhe fornecerá uma máscara de mergulho, colete salva-vidas e dará permissão para que você possa descer a pequena trilha que leva até o Poço Azul. Lembro que, assim como no Poço Encantado, em alguns pontos da descida, principalmente dentro da gruta, é necessário tomar cuidado com os degraus irregulares.











Na próxima vez fique mais atento

Ótimo! Estava aproveitando bastante a flutuação nas águas do poço. A câmera de vídeo estava acoplada no suporte de cabeça e já tinha mergulhado umas duas vezes até que, na terceira vez, imaginem... ganha um abraço quem adivinhar... quando tirei o suporte da cabeça no intuito de registrar um auto retrato, percebi que a câmera estava dentro da caixa protetora que contém a tampa traseira aberta, vazada, e havia entrado água em seu interior. 

Podem rir, chorar, xingar, espernear. Ganha o prêmio quem conseguir deixar o autor o mais envergonhado possível. Prometo que não farei oposição aos comentários. Sim, confesso, “mancada feia”!

Já estava dentro da água a uns dez minutos e, quando percebi a cagada, fiquei tão frustrado e chateado que decidi sair no mesmo momento. Nessa hora a câmera, depois de ter mergulhado umas três vezes, obviamente, já não estava mais funcionando. Tinha certeza de que ela havia se desligado por causa da água que entrou e não por falta de bateria, pois, antes de descer eu tinha realizado a troca por uma nova que continha carga completa.


— Bem, já chega por hoje. Vá sentar e ficar quieto, menino! Pensei comigo.


Dito e feito. Subi de volta as escadas resmungando, logicamente, e logo tirei a bateria da câmera. Enxuguei o que pude do lado externo e, a partir desse momento, teria que ter paciência e esperar que a câmera secasse totalmente por dentro até que pudesse tentar ligá-la novamente. Consequentemente, troquei de roupa, comprei uma água de coco, sentei-me numa sombra bem escolhida e ali fiquei, de castigo, até que todos estivessem prontos para partir de volta.

Então, após o chamado para nos reagruparmos, subimos no veículo de passeio e iniciamos a viagem de retorno. Ao chegarmos em Lençóis/BA fomos deixados em frente a agência de turismo que realizou o passeio a fim de respondermos um pequeno questionário de satisfação.



Quem poderá me ajudar?


Com todas as formalidades encerradas, tive a ideia de procurar, em alguma loja de manutenção de celulares ou eletrônicos, por alguém que pudesse abrir a câmera e, talvez, tentar realizar uma secagem rápida em seu interior. Com o calor que fazia eu poderia deixá-la secar sozinha e tentar religá-la dias depois, porém, não estava nem um pouco disposto a esperar e correr o risco de que ela realmente tivesse estragado, em parte ou por completo, deixando-me impedido de registrar mais imagens.

Dessa forma, precisava saber rapidamente se a câmera ainda iria funcionar satisfatoriamente porque, caso isso não ocorresse, eu poderia aproveitar o percurso do dia seguinte para passar na cidade de Feira de Santana/BA, ou até mesmo em Salvador/BA, a fim de comprar alguma outra máquina fotográfica, apenas para não ficar sem nenhuma possibilidade de tirar fotos no período restante da viagem. E olha que eu ainda estava, apenas, no quarto dia de férias dos trinta programados. Imagine você, leitor(a), sair de férias e não poder registrar as fotos de sua viagem. Seria frustrante, não?

Dessa forma, caminhei por todo o centro comercial de Lençóis em busca de ajuda. Procurei em todas as lojas onde achei que alguém soubesse manusear a câmera, mas, sem sucesso. Por uma indicação aqui, e outra ali, terminei encontrando uma cabeleireira que também consertava celulares, porém, já eram umas 16h30 e, segundo o funcionário com quem conversei, ela só chegaria uma hora depois, por volta das 17h30.

Nesse meio tempo decidi sair para adiantar algumas outras coisas e voltar mais tarde. Com passos rápidos entrei em um pequeno mercado e comprei água, alguns biscoitos e barras de cereal para levar na bagagem. Ainda queria voltar até a pousada para deixar as compras e adiantar os procedimentos de backup das fotos e vídeos registrados nos passeios do dia. Além do mais, em meu singelo kit de ferramentas também havia instrumentos que poderiam ser usados para remover os parafusos da câmera, a fim de que eu mesmo pudesse “fuçar” e tentar resolver alguma coisa. No caminho de volta fui pensando sobre qual deles poderia utilizar...



Deixa comigo. Eu sei o que estou fazendo.


De volta às acomodações da pousada, apreensivamente, verifiquei se o cartão de memória da câmera não tinha estragado por causa do mergulho na água. Para meu consolo, estava tudo bem e as imagens e vídeos puderam ser acessados. Em seguida, terminado o procedimento de backup, comecei a desmontar a máquina fotográfica, parafuso por parafuso. Assim o fiz, facilmente, até um determinado ponto no qual me vi completamente frustrado por não mais poder avançar, pois, teria que forçar um pouco as peças no intuito de acessar o circuito elétrico no interior da câmera. Com receio de que pudesse piorar a situação contive-me, então.

Após alguns instantes matutando e analisando bem tal atitude, minha ansiedade e agir emocional foram vencidos pela razão e, naturalmente, dei fim à ideia maluca de desossar os componentes do equipamento eletrônico e, tão ligeiro quanto naquele ponto chegara, recompus todas as peças, cada qual em seu devido lugar. Reconheci que seria melhor esperar e deixá-la em repouso contentando-me com a torcida de que ela voltasse a funcionar depois que a tentasse ligar novamente.

Minha enrolação nessa brincadeira de mona e desmonta foi tamanha que já passara do horário em que deveria voltar para procurar a ajuda da cabeleireira que sabia consertar eletrônicos, pois, já batiam 17h45 no relógio. Consequentemente, também desisti de voltar ao salão para procurá-la. 

Contudo, como se não bastasse toda a racionalidade de deixar a câmera em paz e esperar que se recuperasse sozinha, insistentemente, como um daqueles tiques obsessivos, ainda tive outra brilhante ideia. Brilhante? Ora, claro, todo maluco acha que a sua solução é a que salvará o mundo. Assim, eis que lembrei-me que a poucos metros dali eu poderia pedir emprestado ao borracheiro a sua mangueira de ar comprimido para sobrar um forte jato de ar para dentro da câmera, através da cavidade do cartão de memória.


Abrigue-se! Tufão à vista.


Eis que fui falar com o borracheiro que, prontamente, se solidarizou com a situação e ligou o compressor de ar. Minha nossa! A cidade de Lençóis/BA quase presenciou um tufão de categoria 5. Aquele vento soprava com grande fúria para onde quer que o apontasse; quadros despencaram da parede e notas de serviço voaram para todos os cantos até que o controlei direcionando-o para a cavidade de entrada do cartão de memória por onde o ar poderia entrar e, talvez, imaginei, circular por todo o interior da câmera.

No entanto, como que por reflexo, num instante de lucidez, distanciei um bocado a câmera do ar comprimido, pois, achei que a violência do sopro poderia fazer soltar ou quebrar qualquer componente interno de resistência mais frágil. Por conseguinte, a leve brisa de fim de tarde que a partir de então começou a bater sobre a maquina fotográfica seria incapaz de satisfazer minhas intenções ou fazer lograr algum êxito nessa atividade.

Em tempo, exaurido de ideias mirabolantes, restou-me apenas um suave sussurro:

– Melhor parar de pentelhar essa máquina porque se ela, acidentalmente, não tiver estragado no mergulho, eu é que a inutilizarei, propositadamente, com essa insistência toda.

Por fim, voltei ao quarto da pousada e deixei a câmera quieta, num canto qualquer, para ali permanecer até o dia seguinte. Entretanto, não se engane o(a) leitor(a) achando que “sosseguei o facho”. Isso não aconteceu. As atividades não se encerraram por aí, pois, ainda voltei ao centro da cidade com a intenção de entrar na internet e procurar por referências de lojas que vendessem máquina fotográfica, em Feira de Santana/BA ou Salvador/BA, pois, caso a minha não voltasse a funcionar, teria que desviar um pouco o trajeto programado a fim de passar em uma dessas duas localidades para adquirir um equipamento novo.

Muito bem, lá pelas 22h, finalmente, voltei à pousada e terminei de organizar meus pertences, deixando tudo pronto para carregar na moto e partir na manhã seguinte, sem atrasos, antes até que o sol despontasse no horizonte.

Hotel: R$70,00.



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