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domingo, 27 de março de 2016

Dia 27. Cuidado! Vá mais manso



Quinta-feira, 28 de agosto de 2014.
De Armação dos Búzios/RJ a Itatiaia/RJ (340 km).

Chuva, chuva e mais chuva. Saí de Armação dos Búzios/RJ com um tempo bastante nublado e o dia de viagem foi todo instável ao longo do trajeto. Além disso, também enfrentei problemas com a corrente da moto. Este é o relato de mais um dia na Expedição Litoral Nordestino, uma viagem de moto que realizei sozinho pelo nordeste brasileiro durante o mês de agosto de 2014. Belíssimas paisagens foram vistas e muitas experiências foram vividas: da calmaria de um encantador pôr do sol em Jericoacoara/CE à fuga alucinada, na calada da noite, em Petrolina/PE... fortes emoções foram vivenciadas. Continue lendo para acompanhar a viagem.

Não existem problemas, apenas soluções. - John Lennon



Trajeto do dia


Trajeto de Armação dos Búzios/RJ a Itatiaia/RJ.
Trajeto de Armação dos Búzios/RJ a Itatiaia/RJ.


Hum! Vou dormir um pouco mais

Da mesma forma como aconteceu na cidade de Maragogi, no Alagoas, acordei de manhã bem cedo e a primeira coisa que fiz foi verificar as condições do tempo. Eram 7h e não fiquei nada animado com o que avistei. Caía um constante chuvisco, passando a frustrante impressão de que assim permaneceria por décadas.

Ao contrário da outra ocasião (veja o relato do “Dia 20. Vai ou não vai? Decida-se” para saber / relembrar o que houve), dessa vez não deixara combinado passeio algum. Torcia para que o mau tempo passasse e o sol “desse as caras” a fim de poder sair para mais uma batelada de passeios, mas, haja vista a persistência do céu cinzento, rapidamente minha esperança foi se esvaindo.

Com certa folga no cronograma da viagem, decidi retornar para a cama e dormir mais um bocadinho, um tanto frustrado, porém, já me conformando com o fato de estar prestes a me despedir do litoral mais cedo do que gostaria.


É dura a dor do parto, mas, é hora de partir

Não tendo pressa, levantei-me de uma vez por todas às 10h e, após tomar café e terminar de arrumar a bagagem, por volta das 11h30, deixei a pousada. Parti.


Em frente a pousada. Armação dos Búzios/RJ.
Em frente a pousada. Armação dos Búzios/RJ.

Saindo da pousada em Armação dos Búzios/RJ.
Saindo da pousada em Armação dos Búzios/RJ.
Andei ali por perto, algumas quadras, e terminei encontrando um armazém de bebidas cujo dono havia conhecido no passeio do dia anterior. Passei por lá para cinco minutos mais de conversa e para me despedir, mas, não os encontrei (ele e/ou sua esposa). Uma pena. Boa gente!

Logo na saída da cidade parei novamente. Por causa da chuva que avistava adiante fiquei com receio de que meu GPS pudesse ter problemas com a água. Segundo instruções do fabricante, era resistente, mas, não à prova d’água. Então, encontrei um saco plástico transparente na minha bagagem e improvisei uma pequena capa. Ótimo! Estava pronto para o dilúvio que viria em seguida.


Ensacando o GPS para não molhar.
Ensacando o GPS para não molhar.

Só temporal no início da viagem.
Só temporal no início da viagem.


Dois caminhos

O caminho que iria percorrer eu já o tinha memorizado. Havia anotado as cidades por onde deveria passar, contornando a Baía de Guanabara “por cima”, pelo trajeto mais afastado do mar - na RJ-493. Contudo, à medida que avançava, o GPS insistia em indicar a rota que seguia até a cidade do Rio de Janeiro, passando pela ponte Rio-Niterói, na parte “de baixo” da baía.

Assim, parei e reprogramei o GPS para me levar diretamente para a cidade de Magé/RJ. Depois, estando lá, eu poderia reprogramá-lo novamente para indicar o trajeto até o sul de Minas onde desejava chegar. Todos sabemos como pode ser um caos o trânsito nas proximidades das grandes cidades e, certamente, se seguisse para o Rio de Janeiro/RJ, não estaria livre de confusão.


Um pouco de neblina.
Um pouco de neblina.
Mesmo assim, a estrada ainda se mostrou bem movimentada. Além dos mais, passei por várias cidades menores cujo trânsito local contribuiu para atrapalhar o rendimento da viagem. Na hora da fome, achei melhor parar alguns instantes em Duque de Caxias/RJ e tomar um lanche.
Próximo a Duque de Caxias/RJ.
Próximo a Duque de Caxias/RJ.


Nossa! Que tranco foi esse?

Nas imediações do vilarejo de São Miguel, Seropédica/RJ, havia acabado de passar por uma praça de pedágio e retomava à velocidade de cruzeiro quando senti um forte solavanco, como se algo tivesse batido na moto, por debaixo. Isso me causou muita estranheza, pois, o asfalto estava limpo e não tinha passado por cima de nenhum objeto.

Achei mais conveniente encostar e fazer uma verificação na moto para tentar encontrar algo que pudesse ter se quebrado ou fora do comum. Já tinha em mente por onde iria começar: sim, pela corrente da moto. Fiquei preocupado com o lugar onde estava estacionado por causa do fluxo de veículos. Cada caminhão que passava parecia com o estrondo de um trovão rugindo nos céus.

Ao procurar detalhadamente por algum problema na corrente, olhando gomo por gomo, não fiquei nem um pouco surpreso ao encontrar um deles arrebentado. Na verdade, não estava de todo partido, obviamente, porque a moto ainda tinha tração, mas, estava preso somente pela metade.


Problemas com a corrente da moto.
Problemas com a corrente da moto.


Para tudo tem solução

Enquanto eu verificava a moto, parou perto de mim um veículo reboque da empresa que administrava a autopista e o funcionário comentou que me haviam visto pelas câmeras. Consequentemente, ele resolveu verificar o que tinha acontecido. De fato eu estava com problemas. Um grande problema. Era uma corrente arrebentada. Ou melhor, outra, a segunda nessa viagem.

Bem, não havia o que fazer. Teria que procurar algum mecânico para consertar a moto, mas, antes teria que tirá-la dali. O funcionário concordou comigo e, para minha sorte, emendou dizendo tudo o que eu queria ouvir nesse momento: que o dono da oficina localizada logo ali ao lado na rua marginal (e que eu também já havia visto) entendia de motocicletas.

O problema, agora, era que se eu fosse fazer o retorno pela rodovia, muito provavelmente, a corrente não aguentaria e me deixaria em pior situação do que me encontrava atualmente. Então, o funcionário saiu carregando dois cones de trânsito nos braços e ordenou que eu me preparasse e esperasse pelos seus comandos. 

Num momento de menor movimentação de veículos, fez sinal para que eu retornasse alguns poucos metros a fim de acessar rapidamente a rua marginal. Os cones, ele os tinha levado para impedir a entrada de outros veículos na saída que dava acesso à rodovia enquanto eu passava por ela.


Imagem retirada da internet. Meramente ilustrativa.


— Vá mais "manso" daqui em diante

Para minha alegria o mecânico sabia resolver o problema e também tinha uma “emenda de corrente” para substituir o elo que havia se quebrado.


Colocando emenda de corrente.
Colocando emenda de corrente.
Alguns minutos depois, com tudo arrumado, ele me cobrou apenas R$20,00 pelo serviço feito e me recomendou “andar mais manso”. Ou seja, que dali em diante, até trocar novamente a corrente, viajasse com mais cautela e sem acelerar com muita força para não sobrecarregar o que restou da corrente recém-remendada.

Então, lá fui eu, todo “cheio de frescura” com a moto. Se bem que, debaixo de chuva, já não iria andar rápido mesmo, então, fui tocando assim, “mais leve”, como recomendara o mecânico.


Tempo chuvoso o dia todo.
Tempo chuvoso o dia todo.

E o caminhão foi-se embora.
E o caminhão foi-se embora.

BR-116 - Trecho de boas estradas.
BR-116 - Trecho de boas estradas.
Aproximando-se o fim do dia, tendo percorrido apenas pouco mais de 300 km, encerrei a viagem na cidade de Itatiaia/RJ, pouco além de Resende/RJ. Já estava escurecendo e sob um céu instável e com a moto naquelas condições não quis dar margem para o azar se manifestar.

Fora um dia bastante complicado e de rendimento ruim, pois, além da complicação com a corrente da moto, ainda viajei com tempo ruim e chuvoso, travessia de diversas cidades resultando em muito trânsito durante quase todo o percurso, além de enfrentar um bocado de curvas ao longo da estrada. Enfim, já no hotel:

— Ufa! É hora de ir para cama.

Hotel: R$90,00.


Dicas de viagem


  • Depois desse dia de viagem tomei a decisão de sempre carregar na bagagem umas duas emendas de corrente compatíveis com a que está em uso na motocicleta para o caso de ocorrer algum inconveniente. Dessa forma, será possível substituir algum elo da corrente que está partido ou causando problema.
  • Na hipótese de haver dois ou mais caminhos que possuem condições parecidas quanto ao piso da estrada, estude bem os trajetos disponíveis e, se possível, escolha o que tiver menor número de cidades ao longo do percurso (principalmente se forem grandes centros urbanos) a fim de evitar muito trânsito.



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